10 maio 2026

Agentes e agências de espionagem nas HQ´s — Parte II: DC Comics!




O excitante mundo da espionagem também se faz presente nos quadrinhos publicados pela DC Comics, onde existem diversas agências de inteligência e de espionagem, geralmente às voltas com ameaças extraterrestres e meta-humanas, comandadas por agentes como Amanda Waller, Steve Trevor, Rick Flag Jr. e King Faraday, alguns dos maiores espiões da Editora. Em suas incontáveis agências, muitas possuem acrônimos para nomes exóticos, como a A.R.G.U.S., o D.E.O. ou a C.O.L.M.E.I.A. e, quando se trata de empregar elementos descartáveis para os mais perigosos trabalhos, os vilões são a melhor opção para executar verdadeiras missões suicidas! A seguir, veremos um pouco mais sobre as principais agências de espionagem da DC Comics e seus opertaivos, onde os "tons de cinza" se sobressaem ao colorido extravagante (e esperançoso!) dos super-heróis.


A.R.G.U.S.


A A.R.G.U.S. apareceu pela primeira vez em Justice League Vol.2 #7 (maio de 2012), criada por Geoff Johns e Gene Ha. O acrônimo significa Advanced Research Group Uniting Super-Humans (Grupo de Pesquisa Avançada Unindo Super-Humanos). A agência opera sob jurisdição do Departamento de Segurança Interna (Homeland Security) e tem como chefes o Coronel Steve Trevor e a Diretora Amanda Waller. Introduzida durante a fase dos Novos 52, a A.R.G.U.S. tem como função apoiar e fornecer recursos à Liga da Justiça. Durante a saga Guerra da Trindade (2013), a organização formou um grupo equivalente à Liga da Justiça, denominado Liga da Justiça da América. As origens da agência remontam ao início dos EUA, criada pelos Pais Fundadores dos Estados Unidos com o objetivo de salvaguardar os interesses americanos, mas mudou de foco diversas vezes ao longo de sua história. 





No século XVIII, por exemplo, a A.R.G.U.S. era conhecida como Revolucionários Armados Governando em Segredo e espionava os britânicos no intuito de se preparar para a Revolução Americana. No século XIX, passou a ser denominada Grupo de Patrulheiros Anônimos dos Estados Unidos, cujo foco era ajudar nas batalhas da Guerra Civil Americana e perseguir e capturar criminosos da mais alta periculosidade nas fronteiras. No final do século XIX, a A.R.G.U.S. travou uma batalha secreta contra os Carmesins, um culto apocalíptico que seduzia políticos  e empresários poderosos com promessas de paraíso. Tal confronto chegou ao fim no início do século XXI, com a derrota das forças Carmesins. Depois disso, o foco mudou uma vez mais, desta vez para os super-humanos, considerados um perigo à humanidade. Alguns dos principais membros da A.R.G.U.S. são: Sasha Bordeaux, Etta Candy, Orquídea Negra, Gladiador Dourado, entre vários outros. 



Cheque-Mate


Surgida na Action Comics Vol.1 #598 (março de 1988) e criada por Paul Kupperberg e Steve Erwin, o embrião da organização que seria posteriormente conhecida como Cheque-Mate (Checkmate) era denominado "A Agência", liderada pela Coronel Valentina Vostok (outrora Mulher Negativa, membro da Patrulha do Destino) para servir como um  braço da Força-Tarefa X de Amanda Waller, cujo objetivo era a realização de operações em nível global consideradas vitais à segurança nacional (leia-se aos interesses americanos). Posteriormente, Vostok passou o comando a Harry Stein, Tenente da Polícia de Nova Iorque. Foi ele quem recriou a agência com uma nova imagem e organização, apelidada de "Cheque-Mate" em referência ao jogo de Xadrez.  Sua hierarquia foi moldada de acordo com as diversas peças de um jogo, como: um Rei, uma Rainha, vários Bispos, Torres, Cavalos e Peões. Os Bispos supervisionam as Torres nos bastidores, enquanto as Torres planejam missões e supervisionam os agentes de campo (ou Cavalos) e o apoio dos Cavalos (os Peões). Sob o comando de Stein, a Cheque-Mate combateu o crime organizado e grupos terroristas como o Partido Supremacista Americano. Posteriormente, foi sancionada pelas Nações Unidas e teve em suas fileiras, além de Stein, como Reis e Rainhas, a própria Amanda Waller, Sasha Bordeaux, Allan Scott, Sargento Steel e Maxwell Lord e, como Bispos e Torres, Michael Holt, David Said e Patricia Grace Colby.
 




Um dos momentos mais dramáticos da Cheque-Mate aconteceu quando Maxwell Lord assumiu a posição de Rei Negro com a intenção de manipular a organização para matar todos os meta-humanos da Terra. Para manter suas atividades em segredo — entre as quais o sequestro e a reprogramação do supersatelélite espião Irmão I, contruído por um Batman paranoico com o objetivo de monitorar os superseres da Terra — Lord matou a sangue frio Ted Kord, o Besouro Azul, outrora seu amigo e aliado na época da Liga da Justiça Internacional. Na ocasião, Lord revelou ter poderes de controle mental, com os quais dominou o Super-Homem e o forçou a atacar o Batman e a Mulher Maravilha. A fim de romper o controle de Lord, a Amazona chegou ao extremo de quebrar o pescoço de Lord. Isso levou ao desmantelamento da organização (e ao início da saga Crise Infinita). Após sua dissolução, a Cheque-Mate foi reconstruída como uma agência das Nações Unidas, reorganizada como Força de Monitoramento de Metahumanos.




D.O.E. 


O D.O.E. (Departamento de Operações Extranormais— do inglês: Department of Extranormal Operations — surgiu nas páginas de Batman Vol.1 #550 (novembro de 1997), criado por Dan Curtis e JH Williams III. Trata-se de uma agência governamental encarregada de monitorar, regular e, às vezes, controlar alienígenas, ameaças paranormais e meta-humanas. Em outras palavras, sua especialidade é o bizarro! O D.O.E. é comandado pelo Senhor Ossos (Mr. Bones), personagem criado por Roy ThomasDann Thomas e Todd McFarlane para Infinity Inc. Vol.1 #16 (julho de 1985), no passado um vilão da Corporação Infinito, o qual trocou o traje colante por terno e gravata e passou a ser o Diretor do D.O.E., também conhecido como "Diretor Ossos". Fumante inveterado, Ossos falava por rimas no início, algo posteriormente abandonado. Muito embora tenha se reformado, Ossos emprega métodos questionáveis em sua missão de proteger o mundo do que considera ameaças extraordinárias. Como no caso da Batwoman, a qual foi chantageada para ser uma agente do D.O.E. após a agência descobrir sua identidade secreta. 





Na ocasião, o Diretor Ossos acreditava ser o fiho ilegítimo do Coronel Jacob Kane, pai da Batwoman. Agentes do D.O.E. descobriram que Beth Kane, irmã gêmea da Batwoman, estava viva e a capturaram. Ossos exigiu que a Batwoman ajudasse a agência a descobrir a identidade do Batman e, em troca, libertariam Beth. No entanto, a heroína e seus aliados não conseguiram resgatá-la e Beth quase foi morta pelo Senhor Ossos. Subornado pela Batwoman, o Agente Asaf atirou em Ossos e finalmente libertou Beth. Ossos sofreu danos cerebrais, mas sobreviveu. Entre outras ações do D.O.E., um departamento corrupto conseguiu manipular Kyle Rayner para que ele escaneasse vários heróis, presumivemente para detectar um supervilão capaz de trocar de corpo. Na verdade, os dados foram empregados na construção de uma nova versão do Amazo. A divisão corrupta foi desmantelada por Ossos, Kyle Rayner e outros heróis. O novo Amazo foi destruído e Rayner apagou as informações mais sensíveis. Além do Senhor Ossos, o D.O.E. tem como principais operativos a Agente Cameron Chase, Agente Liberdade (Agent Liberty), Kate Spencer, Donald Fite, Ishido Maad e Contra-Espiã.





Espiral 


A Espiral (Spyral) é uma agência secreta surgida em Batman Incorporated #4 (abril de 2011), criada por Grant Morrisson e Chris Burnham. Um de seus agentes mais famosos é Dick Grayson, o Agente 37, o qual teve sua identidade secreta como Asa Noturna revelada durante a saga Vilania Eterna (2013) e, a pedido do Batman, forjou a própria morte e infiltrou-se na Espiral como um de seus agentes. A Espiral foi concebida durante a Guerra Fria por Otto Netz, codinome Agente Zero, como uma agência de inteligência das Nações Unidas cujo objetivo era operar além da política convencional. Seus operativos são rebeldes, gênios renegados e aventureiros iconoclastas em vez de espiões tradicionais da OTAN ou do Pacto de Varsóvia. Ao longo de sua existência, a Espiral teve diferentes líderes, como Senhor Minos e Rei Tigre de Kandahar. 





A Espiral é frequentemente associada à busca pelo Protocolo Paragon (Paragon Project), à coleção e utilização de partes do corpo do androide Paragon, um vilão capaz de mimetizar habilidades meta-humanas, pois as partes coletadas contêm o DNA de membros da Liga da Justiça e, quando implantadas, estas conferem os poderes desses heróis ao portador. Além de Dick Grayson, a agência conta com os seguintes operativos: Tigre (Agente 1), um dos melhores da organização, o qual serviu de mentor para Dick Grayson, mais tarde nomeado Diretor da Espiral com o codinome Patrono; Helena Bertinelli (Matrona), líder da agência por um período, a ex-Caçadora tentou guiar a Espiral por um caminho mais ético; Capitã Blüd (Beatrice Bennett), uma agente de campo experiente, frequentemente em conflito com Dick Grayson; Capuz, codinome do Agente George Cross; Dr. Dédalo, um vilão que revelou ser Otto Netz, o fundador da agência e pai da segunda Agente Zero (Luka Netz). A Espiral utiliza tecnologia avançada e é conhecida por seus métodos de espionagem e manipulação de informações, sempre oculta nas sombras. 





Força-Tarefa X


Mais conhecida como Esquadrão Suicida (Suicide Squad), a Força-Tarefa X estreou nas páginas de The Brave and the Bold Vol.1 #25 (setembro de 1959), criada por Robert Kanigher e Ross Andru e liderada pelo Coronel Rick Flag contra ameaças monstruosas. A versão mais famosa da Força-Tarefa X surgiu em Lendas #3 (janeiro de 1987), por John Ostrander e John Byrne, desta vez formada por super-vilões a serviço do governo, enviados em missões secretas e literalmente suicidas. Caso conseguissem sobreviver, poderiam obter redução em suas penas, mas a probabilidade de morrer em ação é sempre muito maior. Os detentos têm implantes que impedem qualquer tentativa de fuga ou de rebelião, porque basta o simples pressionar de um botão para terem suas cabeças explodidas por Amanda Waller, a implacável comandande do Esquadrão Suicida, a qual tem tentáculos em praticamente todas as agências de espionagem do Universo DC. 





Em sua formação clássica, o Esquadrão Suicida tinha como membros Pistoleiro, Capitão Bumerangue, Tigre de Bronze, Magia e Rick Flag Jr. Em uma história memorável, publicada em Suicide Squad Vol.1 #10 (fevereiro de 1988), o Batman descobriu a existência da Força-Tarefa X / Esquadrão Suicida e, por desaprovar o uso de criminosos pelo governo, invadiu Belle Reeve, a prisão de segurança máxima que servia como quartel-general para a equipe e baixou todas as informações a respeito da equipe no intuito de expor Waller e acabar com a operação. O mais interessante na trama foi ver o Cavaleiro das Trevas cometer um erro simples — o de não usar luvas quando se infiltou em uma cela, disfarçado (um erro "que nem mesmo o Robin cometeria", segundo ele mesmo!) — e deixar sua verdadeira identidade vulnerável, o que fez com que tivesse que recuar sob a ameaça de Amanda Waller de revelar quem ele era sob o capuz. O Esquadrão Suicida também fez suesso na tela grande, em dois filmes, em 2016 e 2021, respectivamente dirigidos por David Ayer e James Gunn.




 

C.O.L.M.E.I.A.


A C.O.L.M.E.I.A. (Controle de Lideranças Mundiais para Espionagem, Insurreições e Atentados) — Do inglês: H.I.V.E. (Hierarchy of International Vengeance and Extermination) — é uma organização especializada em terrorismo, manipulação política e eliminação de heróis. Um de seus inimigos mais frequentes é a equipe dos Novos Titãs, cujos membros tiveram suas mortes encomendadas ao Exterminador (Deathstroke), o qual tem um histórico de antagonismo antigo e visceral com o grupo de heróis desde que um de seus filhos, Grant Wilson, os enfrentou e morreu. Uma das melhores histórias de confronto entre Titãs X COLMEIA X Exterminador ocorreu na saga de 1984 
O Contrato de Judas (The Judas Contract), por Marv Wolfman e George Pérez, criadores da C.O.L.M.E.I.A. e de todas as boas histórias com os Titãs neste período. 





Em sua origem, a organização era formada pelo Mestre C.O.L.M.E.I.A., o qual recrutou outros sete cientistas criminosos no intuito de dominar o mundo através do terrorismo e da manipualçao política. Uma segunda C.O.L.M.E.I.A. emergiu e teve como líder Adaline Kane, a ex-mulher do Exterminador, que recrutou jovens militantes, com os quais, novamente, atacou os Titãs. O misterioso Damien Darhk foi o segundo em comando desta nova organização. Adaline culpava os heróis pelas mortes de seus dois filhos, Grant que enfrentou os Titãs como Devastador (Ravager), na tentativa de cumprir o contrato com a C.O.L.M.E.I.A. e eliminá-los, e Joseph, um dos membros da equipe, conhecido pelo codinome Jericó (Jericho). A C.O.L.M.E.I.A. surgiu nas páginas de The New Teen Titans Vol.1 #2 (dezembro de 1980).


A.G.P.


A Agência Global da Paz (Global Peace Agency) é mais uma organização de manutenção da lei saída da mente brilhante — e incomparável! — de Jack Kirby em sua segunda passagem pela DC Comics, cuja estreia se deu nas páginas de OMAC #1 (outubro de 1974). A A.G.P. foi criada pelo Visionários alienígenas após estes descobrirem que a humanidade iria causar uma calamidade conhecida como "O Grande Desastre". O Visionário conhecido como Professor Z então instigou o Conselho de Ciências dos Visionários a intervirem em nome da Terra, e assim nasceu a A.G.P., uma organização de manutenção da lei com alcance mundial. A A.G.P. ajudou o cientista Myron Forest a desenvolver o sistema de satélites Irmão-Olho (Brother Eye), o qual desencadeou o Projeto O.M.A.C. (acrônimo para One Man Army Corps, ou "Exército de um Homem Só"), o qual transformou o pacato e franzino Buddy Blank no super poderoso Omac. Por meio do gigantesco satélite dotado de Inteligência Artificial, Blank é auxiliado em suas missões e tem sua transformação em Omac acionada através de feixes de energia enviados pelo Irmão Olho. A gênese de Omac combina uma salada de conceitos geniais, que só mesmo Jack Kirby poderia criar, como referências ao deus grego da guerra, Ares, ao Super-Homem de Nietzche e ao Capitão América, cocriado por ele em parceiria com o amigo Joe Simon.




Igualmente interessante, é a sociedade na qual germinou a G.P.A., infestada por guerras corporativas, com acompanhantes sintéticos desmembrados em caixas (na verdade, bombas ambulantes criadas para liquidar líderes mundiais), salas de trabalho nas quais os funcionários podiam descontar suas frustrações em "pseudopessoas", entre outros conceitos surpreendentes bolados por Kirby, um criador muito à frente do seu tempo. Os agentes da Agência Global da Paz representavam todas as nações do planeta e não tinham nome nem faces definidas. Alguns dos inimigos da G.P.A. são o Dr. Skuba, Mr. Big e Marechal Kafka. Após os eventos da Crise Final (2008), a G.P.A. reuniu tecnologias consideradas potencialmente perigosas para a humanidade, como a Esteira Cósmica, a Piscina Temporal e a Máquina Milagrosa e as escondeu em Eletric City, um plano de realidade alternativo que em raras ocasiões se cruza com o universo principal. Infelizmente, a série durou apenas oito edições, mas deixou saudades!







Nenhum comentário:

Postar um comentário

 Ele não é pesado: é meu irmão! He Ain´t Heavy, He´s My Brother é uma canção escrita por Bobby Scott e Bob Russell em 1969, inicialmente ...