Mestres do Universo: gostosa nostalgia!
Assisti ontem a Mestres do Universo (2026), o segundo filme a levar He-Man às telas de cinema (o primeiro, em 1987, estrelado por Dolph Lundgen) e devo dizer que foi uma grata surpresa! A nostalgia é evidente, tanto que as pessoas na plateia a baterem palmas entusismadas eram marmanjos entre 45, 50 e poucos anos. Ou seja, eram crianças quando passava o desenho na TV e, com certeza, assistir ao filme foi — como foi para mim! — um lembrete de tempos mais fáceis e mais felizes! Ainda ouvi uma adolescente comentar o quanto achava ridículo "pessoas velhas baterem palmas por causa do He-Man!", o que só reforçou o resgate de uma memória afetiva nostálgica e gostosa, tornada ainda mais forte ao ouvir a dublagem de Garcia Júnior. Todavia, o longa também consegue agradar a atual geração — que não cresceu com o desenho animado —, com boas doses de ação e de humor. A trama acompanha a jornada de Adam, exilado na Terra desde a infância com a Espada do Poder, a qual ele perdeu ao chegar à Terra e, com isso, ficou sem acesso a Eternia. Passaram-se 15 longos anos, nos quais Adam cresceu solitário, em um emprego frustrante, cujo único amigo é um colega de apartamento esquisito. Quando uma garota topa sair com ele para um encontro, ele estraga tudo ao revelar a ela ser o príncipe perdido de um reino mágico e distante.
Assim mesmo, quando vai à academia malhar, recebe algumas dicas de como ser mais autoconfiante, de nada mais nada menos que Dolph Lundgren (o intérprete de He-Man no filme de 1987), o que foi uma homenagem divertida e bacana. Quando Adam finalmente é resgatado e consegue voltar ao lar, encontra Eternia devastada, mas ao empunhar a Espada do Poder e dizer as palavras certas, torna-se o campeão de seu povo, em luta contra o tirânico Esqueleto e seus seguidores. Em um enredo tão simples quanto o dos desenhos no qual foi baseado, o filme também tem o mérito de ser surpreendentemente fiel à fonte. Os personagens estão assombrosamente idênticos ao que era visto na série animada dos anos 1980. No que tange aos personagens, o Adam/He-Man de Christopher Galitzine é reflexivo, empático, do tipo que está sempre disposto a dialogar primeiro e descer a porrada depois! Vem dele algumas das melhores tiradas! O papel exigiu muito do ator fisicamente, para aquisição da massa muscular adequada para personificar o herói.
Idris Elba também faz um ótimo Mentor, o mestre das armas, o qual sofre uma derrota e afunda no álcool, até He-Man entrar em cena e ele ter sua motivação completamente renovada. Morena Baccarin também está ótima como a feiticeira, que escolhe Adam, por sua empatia e coração, para ser o defensor dos segredos de Grayskull e detentor da Espada do Poder. Há também a presença encantadora da bela Camila Mendes no papel de Teela, uma atriz nascida nos EUA, filha de pais brasileiros e que fala português fluentemente. Já o vilão, vivido por Jared Leto, está caracterizado à perfeição, com direito às gargalhadas histriônicas e à megalomania características de sua contraparte animada. Por fim, Mestres do Universo é pura diversão, seja para os nerds "velhos", e que não deveriam bater palmas para não irritar adolescentes, seja para a garotada da geração atual!
Origens
He-Man e os Defensores do Universo (He-Man and the Masters of the Universe) estreou em 1983 e fez grande sucesso nas TV´s brasileiras. Sua criação remonta ao final dos anos 1970, quando a fabricante de brinquedos Mattel decidiu investir em sua própria linha e alguns esboços para novos brinquedos foram desenvolvidos. He-Man nasceu dos desenhos de Mark Taylor, em colaboração com o escultor Tony Guerrero. Em seu visual original, tinha um capacete com chifres, que remetia aos guerreiros vikings, mas tinha uma clara inspiração em Conan, o Bárbaro. Sua expressão séria, de quem estava irado o tempo inteiro, foi suavizada, o que um corte de cabelos loiros contribuiu para tornar sua aparência mais amigável. O Diretor de Marketing da Mattel, Mark Ellis, tinha confiança de que tinha um sucesso em mãos, mas achava que ainda faltava algo. A Mattel, então, encomendou uma série em quadrinhos, para mostrar a história do novo personagem, mas a parceira na fabricação dos bonecos, a Toys 'R' Us, estava reticente pelo fato de existirem crianças que ainda não sabiam ler, razão pela qual o foco foi mudado para o desenvolvimento de uma série animada, o que atrairia maior público. Quando a Hanna-Barbera recusou a proposta para o novo desenho, a Filmation demonstou interesse e passou a produzir o programa. O sucesso foi instantâneo e a 1ª temporada conquistou uma média de impressionantes nove milhões de espectadores.
Para dar maior realismo às cenas de batalha e ao físico dos personagens, os animadores recorreram a fisiculturistas, sobretudo para retratar He-Man e seu físico musculoso. O seriado ainda trazia uma lição de moral ao final de cada episódio, nos quais He-Man falava sobre temas importantes para a educação infantil, como a importância da amizade, da honestidade, entre outros. A violência também era suavizada e, ao longo de um total de 130 episódios, He-Man nunca usou sua espada de forma letal ou para causar ferimentos, pois o estúdio queria evitar a censura de um produto que ia tão bem. Curiosamente, havia planos para uma série derivada, que seria estrelada pelo filho de He-Man, He-Ro, criado pela Mattel em 1988, mas que nunca foi produzida. O personagem seria enviado ainda bebê para o planeta Primus, para protegê-lo e, ao crescer, retornaria a Eternia para seguir os passos do pai e empunhar a Espada do Poder. Ele enfrentaria o filho de Esqueleto — chamado Skeletin —, em uma nova geração de batalhas pelo controle de Grayskull. Muito embora não tenha se tornado uma animação, o conceito migrou para histórias em quadrinhos e sobreviveu em materiais promocionais. Nos quadrinhos, He-Man teve, entre 1986 e 1991, tiras exclusivas publicadas em cerca de 10 jornais, uma boa forma de manter a franquia em evidência, haja vista a animação ter sido concluída em 1985 e ter se solidificado no imaginário popular.
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