06 agosto 2026

 Mulher forte e à frente do seu tempo!



Dizem que a mulher é o sexo frágil, mas muitas possuem mais força e resiliência do que muitos homens. Miriam Kate Williams [1975-1946], nascida no País de Gales, era uma dessas, uma mulher notável, cuja força física impressionante fez dela uma das atletas de força mais famosas da Era Vitoriana. Mais conhececida por seu nome artístico, Vulcana em alusão ao deus romano do fogo e da metalurgia —, ela foi uma das mais famosas atletas de força daquele período. Ao lado do homem forte (strong man) William Hedley Roberts [1864-1946]cujo nome artístico era Atlas (o titã grego condenado por Zeus a sustentar os céus para sempre), formou a dupla The Atlas and Vulcana Group of Society Athletes e se apresentou por toda a Europa. 



Atlas gostava de exagerar seus feitos e, em algumas ocasiões, passou pelo constrangimento de ser desmascarado ao usar pesos falsos. Assim mesmo, a reputação de Vulcana não foi afetada. Muito pelo contrário, ela se tornou extremamente popular, sobretudo na França, onde impressionou o Haltérophile Club de France com seus feitos de força. Inclusive, recebeu uma medalha do Professor Edmond Desbonnet [1868-1953], considerado o "pai do fisiculturismo francês", além de ter uma foto sua estampada na capa da revista La Santé par les Sports. Ao longo de sua carreira, a atleta recebeu mais de cem medalhas. Seus feitos mais bem documentados foram o levantamento de peso com a mão direita com pelo menos 56,5kg, embora algumas autoridades aceitem um levantamento de 66kg e um levantamento acima da cabeça com um peso de 25kg em cada mão. 


Feitos impressionantes


A força de Kate Williams era sentida também fora dos palcos, onde foram atribuídos a ela vários feitos incríveis. Alguns comprovados, o que só faz aumentar o assombro e a admiração em torno dessa mulher extraordinária, cuja força impressionante não tirava a sua feminilidade, mas deixava claro que ela era alguém com quem não se deveria mexer! Alguns de seus feitos, todavia, não têm comprovação e adentram o terreno do folclórico, do fantástico, até mesmo do anedotário, o que não diminui o fascínio em torno dela. A seguir, alguns de seus feitos!


— Em 1888, com apenas 13 anos, ela parou um cavalo desgovernado em Bristol. Repare que, mesmo com pouca idade, ela já possuía grande força física!


— Em julho de 1901, ela salvou duas crianças de um afogamento no rio Usk, feito pelo qual, como agradecimento, recebeu um prêmio. Em outubro do mesmo ano, Vulcana libertou uma carroça presa em Maiden Lane, Covent Garden, Londres. Ela a ergueu e libertou seu condutor diante de uma multidão embasbacada por sua força. 


— Em 1902, a revista Punch noticiou que Vulcana havia nocauteado um batedor de carteiras que tentara roubar sua bolsa. Em Londres, certa feita, percebeu um homem tentar roubar sua bolsa pelo reflexo de uma vitrine. Ela Torceu o braço do azarado ladrão, recuperou a bolsa e o pôs a correr. Em outra ocasião, em Birmingham, sentiu um cidadão tentar levar seu relógio. Desta vez, ela o nocauteou com um soco certeiro e ele foi preso pela polícia. 



— Em 1910, Vulcana foi a primeira pessoa a alertar a polícia sobre o desaparecimento de sua amiga Cora Crippen, uma cantora de music hall americana, que se apresentava com o nome artístico de Belle Ellmore, o que levou à investigação, acusação e execução de seu marido, o Dr. Hawley Crippen.


— Em 29 de maio de 1913, no Teatro Haggar, em Llanelli, em uma disputa de levantamento de peso, Vulcana levantou um sino de desafio que sua rival Athelda (Frances Rheinlander) não conseguiu levantar, após quase meia hora de tentativas antes de finalmente desistir. 



— Em quatro de junho de 1921, o Teatro Garrick, em Edimburgo, pegou fogo durante uma apresentação da Sociedade Atleta. Vulcana arriscou a própria vida para salvar os cavalos de outra atração e sofreu graves queimaduras na cabeça. 


— Uma das histórias em torno de Vulcana que não tem comprovação — mas é bastante pitoresca! — é a de uma certa viagem de trem na Austrália. Um homem teria entrado em um vagão exclusivo para mulheres e começado a importunar as passageiras. Como desafio, teria dito que ninguém conseguiria tirá-lo dali. Vulcana teria segurado o inconveniente pela gola do casaco, pelas calças, e o arremessado para fora do vagão. O fiscal, ao presenciar a cena, teria pensado se tratar de uma tentativa de suicídio. Quando foram procurá-lo, ele havia desaparecido.



— Ela foi a primeira mulher a realizar a façanha conhecida como "Túmulo de Hércules" (Tomb of Hercules), uma acrobacia que consistia em apoiar as mãos e os pés no chão de modo a formar uma ponte com o corpo. Uma plataforma de madeira era colocada sobre o abdômen e, sobre a plataforma, subiam dois cavalos e seus tratadores ou outros homens. O peso suportado era enorme.


Vida familiar e morte


Kate conheceu William aos 15 anos, e pouco depois de começarem a se apresentar como uma dupla, apaixonaram-se e passaram a viver juntos. William era casado e tinha família, o que não permitia um divórcio. A fim de evitar fofocas e um possível escândalo, em seus números, apresentavam-se como irmãos. Vulcana e Atlas mudaram-se para Londres na década de 1920 e aposentaram-se das apresentações em 1932. Mesmo sem nunca terem casado, tiverem seis filhos: William, Hedley Augustus, Arthur, Nora e Mona. Kate não queria que suas crianças acabassem com parentes ou em orfanatos, e decidiu criá-los ela mesma. Todos os seus filhos se apresentaram com os atletas da Sociedade assim que tiveram idade suficiente. Tragicamente, Vulcana foi atropelada por um carro em Londres, em 1939. Ela estava consciente quando ouviu sua própria morte ser anunciada, e chegou a ser levada a um necrotério. Quando seu corpo era preparado para o funeral, o funcionário viu uma lágrima escorrer pelo seu rosto e ela foi rapidamente encaminhada ao hospital. Contudo, a demora no atendimento levou a danos cerebrais severos, que exigiram cuidados até seus últimos dias. Ela nunca mais foi a mesma! Atlas, seu companheiro de uma vida, cuidou dela até o fim, quando morreu em 1946, três meses antes dela. A filha mais nova do casal, Mona [1900-1946], também faleceu no mesmo ano. O Vulcana Women´s Circus, sediado em Brisbaine, Austrália, foi assim nomeado em homenagem à ela. Kate Williams deixou um impressionante legado, como uma mulher forte (em todos os sentidos!) e muito à frente de seu tempo.




04 agosto 2026

Cruzado Encapuzado — Uma temporada ainda melhor!



Estreou no dia 31 de julho a segunda temporada de Batman: Caped Crusader, no Prime Video. Surpreendentemente, o segundo ano consegue ser mais dinâmico e empolgante do que o primeiro, com algumas releituras de personagens bastante interessantes. Em comparação com a primeira temporada, a nova leva de episódios é muito mais violenta e explícita em cenas de morte e de pancadaria. Há um aprofundamento na ambientação dark/pulp do seriado, como uma homenagem às raízes do personagem, em tramas que exploram mais o submundo criminoso de Gotham City. Entre as novas versões dos inimigos clássicos do herói, Edward Nygma, o Charada, tem grande destaque nos primeiros capítulos. Após o desaparecimento do chefão Rupert Thorne, Nygma assume o comando do submundo e esta encarnação do vilão é mais crua e brutal do que estamos acostumados a ver nas histórias em quadrinhos. Quem também aparece em uma nova — e inusitada! — roupagem é o policial corrupto Jim Corrigan, que aceita se submeter a um experimento na prisão, cujo objetivo é aumentar a longevidade. No entanto, algo dá muito erado e Corrigan aparentemente morre. Diferente dos quadrinhos, aqui ele se torna o Espectro sem nenhum elemento sobrenatural (o mote é puramente científico!) e parte para punir os pecadores. 






Em mais uma homenagem à Era de Ouro, a personagem Espinho (Thorn) tem seu pai, um ex-policial, assassinado pelo Charada e cria uma segunda personalidade com  a qual se vinga de Nygma. Outro episódio memorável apresenta o Sr. Frio (aqui chamado Mr. Zero!) como um criminoso que limpa cenas de crime e tem como fixação congelar pessoas. Enrascado, o Batman recebe a ajuda de Carrie Kelley (nas HQ´s, a Robin criada por Frank Miller para O Cavaleiro das Trevas), que assume a identidade de Fantasma Cinzento, outra grande referência, desta vez a Batman Animated Series (1992-1995). Se na temporada anterior houve a famigerada "Pinguina", na qual foi trocado o gênero do vilão de forma grotesca, o mesmo ocorre aqui com o Chapeleiro Louco, o qual,  em vez de ser Jervis Tecth, é apresentado como Hattie Tetch, a apresentadora de um famoso programa de TV, que usa a mídia para manipular a opinião pública! Todavia, a "cereja do bolo" é a apresentação de alguém oculto nas sombras, que observa e interage com os eventos nos bastidores, até ser finalmente revelado: o Coringa, em uma versão fria e calculista, que nunca sorri e mostra-se um oponente à altura do Cavaleiro das Trevas. Ele está em perfeita consonância com a visão original de Bill Finger e Jerry Robinson para o personagem. O programa é um "Elseworld", cujos enredos se passam  em um universo que não é o oficial da Editora — tanto que alguns vilões morrem, aparentemente de forma definitiva (será?) —, o que permite soltar as amarras da criatividade! Ainda não se sabe se haverá uma terceira temporada, o que vigorosamente torço para que aconteça, especialmente se mantiver o mesmo nível de qualidade. Por fim, Batman o Cruzado Encapuzado foi vendido como uma "continuação espiritual" da cultuada Batman Animated, mas na verdade adquiriu uma identidade própria, e o segundo ano provou isso muito bem!



Homem-Aranha: ainda há esperança para os heróis!




Tom Holland tem interpretado o Homem-Aranha desde 2016, ano em que fez uma participação especial em Vingadores: Guerra Civil. Depois disso, seguiram-se seis filmes, dos quais quatro foram solo. O mais novo, Homem-Aranha: Um Novo Dia (2026), com direção de Destin Daniel Cretton, trouxe a melhor atuação de Holland como o herói aracnídeo até agora (ao menos para mim!). Mais maduro e seguro como o protetor de Nova Iorque, ele se vê às voltas com a Controle de Danos, organizção governamental empenhada em prender super seres considerados perigosos. E eis que a mais nova ameaça perseguida por eles, com a ajuda voluntária do "Amigão da Vizinhança", é alguém aparentemente impossível de deter, porque consegue ler mentes e saltar de corpo para corpo. Posteriormente, o herói descobre se tratar de Jean Grey (Sadie Sink), uma mutante poderosa, cuja irmã foi morta pela Controle de Danos. Todavia, ele enfrenta seus próprios problemas com uma mudança em seu DNA, que está cada vez mais aracnídeo e menos humano. Ele encontra em Bruce Banner (Mark Ruffalo), agora um professor de faculdade, as informações necessárias para criar um inibidor de DNA, que impedirá que ele disparasse teias orgânicas e ceda a um lado mais violento (e inumano). O próprio Banner usa um inibidor que o permite dar aulas e manter a sua fera interior sob controle. Quando Jean ameaça Mary Jane Watson (Zendaya), a ex-namorada de Peter Parker que não tem mais nenhuma lembrança dele graças aos eventos de Homem-Aranha: Sem Volta para Casa (2021), ele busca a ajuda do Justiceiro (Jon Bernthal), para cujo esconderijo ele leva Mary Jane a fim de protegê-la de Jean. Entretanto, a reaproximação abre a velha ferida, de perceber que, sem nenhuma lembrança dele, MJ e seu amigo Ned Leeds (Jacob Batalon) seguiram em frente (ela inclusive tem um namorado). Um dos pontos altos acontece justamente quando Peter tira a máscara e se releva a Mary Jane, que diz a ele que não o ama, pois como amar alguém que ela não conhece?






Após finalmente capturar Jean Grey, o Homem-Aranha descobre ter sido enganado pelo diretor da Controle de Danos, Bill Metzger (Tramell Tillman), que tem seus próprios planos para Jean Grey. Com a ajuda do Justiceiro (Jon Bernthal está ótimo no papel!), o Escalador de Paredes parte para resgatá-la, mas tem que enfrentar um Hulk enfurecido, além de ninjas do Tentáculo. O filme acerta na caracterização de um Peter Parker mais maduro e introspectivo, o qual tenta seguir com sua vida sem sua tia, sem sua namorada e seu melhor amigo. A mutação pela qual ele passa é um ponto interessante enquanto metáfora, porque reflete justamente as mudanças pelas quais ele passou ao longo dos últimos anos, ao mesmo tempo que faz um link com a "personagem surpresa" interpretada por Sadie Sink, que no segundo ato do longa revela ser Jean Grey. Estranhamente, a mutação serve apenas para isso, porque o filme termina sem nenhum desobramento neste sentido. A trama tem boas cenas de ação e várias homenagens a capas icônicas dos quadrinhos (há aparições de vilões como Lápide, Tarântula e o Escorpião de Michael Mando com um tempo maior de tela, como uma ameaça secundária dentro da trama). O roteiro também acerta ao mostrar a interação entre o Homem-aranha e a polícia de Nova Iorque na figura da detetive Jean DeWollff (Lisa Colón-Zayas), velha conhecida do aracnídeo nas HQ´s, além das já citadas divertidas participações do Hulk e do Justiceiro. Já o elemento dramático "Peter/Mary Jane" foi muito bem trabalhado, sem, em momento algum, cair no piegas. No cômputo geral, o filme é divertido e sem os excessos característicos da fase anterior do UCM, que explorava em demasia o humor sem um aprofundamento de personagens (como foi feito com o Thor de Taika Waititi, por exemplo). Pode se afirmar com certeza que ainda há esperança para os super-heróis nas telas. Afinal, a tal "fadiga do gênero", de que tanto falam atualmente, refere-se muito mais à exaustão de ver produtos ruins — como várias séries e filmes com os quais o público não consegue se importar! — e menos de um cansaço em si! 



29 julho 2026

Supergirl: flopou... e flopou feio!



Eu já tinha ouvido falar (mal!) exaustivamente do filme da Supergirl estrelado por Milly Alcock, tanto que decidi não ir ao cinema e assistir quando estreasse no streaming. Bem, a minha decisão foi mais do que acertada, porque o filme dirigido por Craig Gillespie (Cruella — 2021) é muito ruim!!!! Na trama, Kara-Zor El (Alcock) faz 23 anos e, para comemorar, decide rumar para um planeta sob a influência de um sol vermelho, cuja radiação torna os kryptonianos normais, o que permite que ela encha a cara à vontade, o que ela faz com gosto na primeira parte do longa. Quando o lar da alienígena Ruthye (Eve Ridley) é atacado por um grupo de bandoleiros que desejam uma espada forjada por seu pai, o líder, Krem das Colinas Amarelas (Mathias Schoenaerts), mata a família dela e acende um ardente desejo de vingança em Ruthye. Em mais um de seus porres, em uma taberna alienígena, Kara conhece Ruthye, que está em busca de alguém que a ajude a enfrentar os bandoleiros. Relutantemente, Kara resolve ajudar, quando cruzam o caminho de Krem e ele envenena o cãozinho Krypto, companheiro de jornada da heroína. A partir de então, ela tem três dias para encontrar o bandoleiro e tomar dele um antídoto que pode salvar a vida de Krypto. No meio do caminho, elas se deparam com Lobo (Jason Momoa), um caçador de recompensas alienígena que é osso duro de roer! O enredo segue as duas personagens até confronto final com Krem, que é o momento mais impactante — e, ao mesmo tempo, mais decepcionante! — do filme. Paralelamente, um pouco do passado de Kara Zoe-El em Krypton é mostrado e percebe-se uma dinâmica familiar feliz até que sua cidade natal, Argo, é envenenada por Kryptonita, o que obriga o seu pai a também enviá-la para a Terra. 





A obra apresenta uma série de problemas, entre os quais o fato de a Supergirl passar quase todo o filme sem seu famoso uniforme. A um certo momento, ela diz que o uniforme "não serve para nada". Na tela, isso representou a depressão e o distanciamento da personagem, sua desconexão com o seu primo e com o seu lar adotivo, a Terra. Todavia, diferente da HQ na qual foi inspirada, Supergirl: Mulher do Amanhã, onde ela usa o traje durante toda a graphic novel, no audiovisual a direção optou por seguir o caminho oposto, o que certamente não agradou a audiência. A sua inadequação também é justificada no roteiro pelo fato de ela não ter sido criada na Terra, o que fez dela alguém diferente e bem menos compassiva do que Kal-El. Isso fica evidente quando ela mata Krem a sangue frio, nos momentos finais, algo que foge totalmente à essência da personagem! Aliás, é justamente a não compreensão de quem realmente é a personagem o maior dos "pecados" de James Gunn enquanto CEO e produtor e de Craig Gillespie como diretor. Outro problema é Krem, um vilão genérico, sem motivação ou aprofundamento. Ele é raso como uma tábua! Para completar, Jason Momoa e David Corenswet não passam de coadjuvantes de luxo em suas aparições, para uma protagonista que evidentemente deixou muito a desejar em termos de carisma. Na verdade, a esmagadora maioria do público foi às salas de cinema muito mais para ver Momoa e Corenswet do que para assistir Alcock, que declarou à Variety o seu desinteresse pelo gênero de super-heróis.... E nem é preciso dizer o quanto isso pegou mal!  Como o filme flopou — e flopou feio! — não se sabe se haverá uma "Supergirl 2". Honestamente, espero que não!




25 julho 2026

O icônico cinto de utilidades!



O Batman é um personagem fascinante, o qual conta com inúmeros recursos para auxiliá-lo em sua cruzada contra o crime, como diversos utilitários e gadgets tecnológicos, muitos dos quais contidos no igualmente famoso cinto de utilidades (utility belt). Na década de 1960, quem não lembra da clássica série de TV — mais especificamente no longametragem Batman: O Homem Morcego (1966) —, onde o herói foi atacado por um tubarão e sacou do cinto de utilidades o "Bat-Repelente Anti-Tubarões"? Curiosamente, o item já tinha aparecido nos quadrinhos, em Batman Vol.1 #117 (agosto de 1958). Já em Batman Vol.3 #135 (julho de 2023), por Chip Zdarsky, Batman foi sugado por um dispositivo do vilão Máscara Vermelha em uma viagem pelo multiverso e foi parar justamente no universo da série de TV dos anos 1960, onde encontrou sua contraparte vivida por Adam West, que lhe doou seu cinto de utilidades para ajudá-lo a combater o Máscara vermelha. Em seguida, o Batman da continuidade oficial foi parar em um universo em que existiam Coringas-Tubarões, onde teve que recorrer ao cinto de utilidades de West para acionar o famigerado repelente de tubarões. Piadas à parte, o Cavaleiro das Trevas sempre esteve preparado para todas as situações, e o seu cinto de utilidades tem grande importância em sua trajetória. 



Ele estava lá desde a sua primeira aparição, nas páginas da Detective Comics Vol.1 #27 (maio de 1939), criado por Bill Finger com Bob Kane e aprimorado ao longo das décadas. Em suas primeiras aparições, continha cápsulas menores, onde eram armazenados seus apetrechos. Estas passaram a ser maiores e com mais destaque no cinto amarelo do personagem. Em Batman Ano Um (1987), de Frank Miller e David Mazzucchelli, os primeiros dias de Bruce Wayne como Batman foram retratados na nova continuidade da DC pós-Crise nas Infinitas Terras. Na trama, o cinto utilizado por ele tinha vários compartimentos em bolsos, nos quais carregava ferramentas úteis para suas incursões noturnas. O conteúdo do cinto pode variar de acordo com a ocasião e a necessidade. Seu interior já carregou ítens como: máscaras de gás, batarangues, dardos, gazuas, algemas, pistolas com gancho e corda (grapling gun), binóculos, kits forenses, para coleta e armazenamento de evidências em cenas de crime, lanternas, e até dinheiro escondido. 



Alguns itens do cinto de utilidades!


Batarangues — Armas de arremesso semelhantes a bumerangues ou shurikens, com formato de morcego e usados para imobilizar, cortar ou desarmar. 

Bombas de fumaça — Pequenas granadas de fumaça para tentativas de fuga, desorientação e distração de seus oponentes.

Batcorda — Uma corda leve e flexível usada para diminuir a velocidade de queda durante saltos altos ou quedas em grandes alturas, ou para a captura de criminosos em fuga. Antes de adquirir a pistola de gancho, Batman também a usava para escalar paredes ou se balançar entre áreas. A batcorda é geralmente presa a batarangues, que funcionam como ganchos de escalada e aumentam o alcance e a precisão dos arremessos. 

Gancho de escalada / Gancho de morcego —  Um projétil usado para escalar grandes superfícies. Pode ter um gancho em formato de morcego ou uma extremidade magnética simples. Alguns modelos também possuem um acessório de fixação que pode ser usado para fins ofensivos. 

Máscara de gás — Um acessório que cobre a boca e filtra partículas perigosas, frequentemente utilizada para se proteger de venenos e de soluções nocivas presentes no ar, como a toxina do Espantalho ou o veneno do Coringa.

Rebreather Um dispositivo de respiração em miniatura, também usado para exploração subaquática.

Granadas de termita — Um dispositivo usado para queimar obstáculos.

Kit para Revelações de Impressões Digitais — Um pequeno kit para coleta de impressões digitais em locais de crime.

Sinalizador ultrassônico para morcegos — Um dispositivo eletrônico que emite sons de alta frequência para atração de morcegos que estejam por perto.

Bombas de morcego — Explosivos em miniatura usados para derrubar portas ou paredes.

Chaves de fenda — Um conjunto de ferramentas capaz de abrir ou de quebrar fechaduras, geralmente guardadas dentro das luvas do Batman caso ele precise se libertar de algemas ou de outros dispositivos de segurança com cadeados. 

Ferramenta Universal — Uma ferramenta eletrônica multifuncional e um kit de ferramentas portátil, frequentemente usada para diversas funções, como abrir fechaduras eletrônicas e para manutenção.

Óculos de Visão Noturna — Óculos infravermelhos capazes de detectar radiação térmica em ambientes escuros ou com pouca luz. Nos últimos anos, eles foram integrados ao capuz do Batman, para maiior acessibilidade.

Bat-Saw Uma serra portátil empregada para cortar objetos, como plantas.

Sequenciador Criptográfico — Usado para acessar remotamente terminais de computador seguros e burlar medidas de segurança digital. Este dispositivo também pode ser usado para acessar e interceptar frequências de rádio seguras, o que permite ao herói monitorar as comunicações.

Cápsulas de gás — Pequenas granadas de gás que, ao serem quebradas, criam nuvens de agentes aerotransportados capazes de incapacitar os oponentes.

Bombas de luz — Granadas que liberam um dispositivo que prejudica temporariamente a visão e a audição de quem estiver próximo após a detonação. 

Maçarico de acetileno — Uma ferramenta de corte a laser miniaturizada.

Aquecedor de morcego — Uma ferramenta em forma de morcego usada para aquecer objetos ou derreter gelo, bastante útil quando o inimigo é o Sr. Frio (Mr. Freeze) e similares.

Batlight Uma lanterna comum, mas que às vezes é substituída por uma versão infravermelha que fornece iluminação visível apenas através da máscara do Batman.

Lançador de cabos — Um dispositivo que dispara cabos de aço de ambos os lados, uilizado para rapel em grandes vãos.

Dardos — Um tipo de dardo tranquilizante.

Terapia de casal com um serial killer aposentado!



Conselhos de um Serial Killer Aposentado — cujo título origina em inglês é o comprido The Shallow Tale of a Writer Who Decided to Write About a Serial Killer — é uma comédia divertida protagonizada por Steve Buscemi, John Magaro e Britt Lower, sobre Keane (Magaro), um escritor em crise criativa e no casamento, cujo mais recente trabalho conta a absurda história do último neandertal que mantém um caso com uma mulher homo sapiens, o que causa risos e incompreensão de seus amigos e irritação em sua esposa, Suzie (Lower). Keane cruza o caminho de Kollmick (Buscemi), que se apresenta a ele como um "serial killer aposentado" e lhe dá a ideia de escrever um novo livro sobre um assassino em série. Quando Suzie pede o divórcio e flagra Keane e Kollmick juntos em seu apartamento, ela equivocadamente pensa que Kollmick é um terapeuta de casal, contratado por seu marido. Enquanto Kollmick tenta fazer Keane ver a sua perspectiva como assassino em série — e empresta e ele livros sobre o tema! —, Keane o convence a atuar como conselheiro matrimonial, a fim de salvar seu casamento em ruínas. 



Em contrapartida, Suzie encontra os livros que Kollmick havia emprestado a Keane, começa a pensar que ele planeja assassiná-la e passa a segui-lo. O filme tem boas sacadas, como o fato de o assassino atuar como terapeuta e fazer alusões à morte em suas sessões sobre o matrimônio falido de seus "clientes". Buscemi, como de costume, entrega uma performance brilhante e Magaro está igualmente afinado como um escritor que perdeu os rumos e transmite a ansiedade de um autor que não sabe mais sobre o que escrever (e não cala a boca um minuto sequer!). Para completar, Britt Lower faz de Suzie uma esposa mal humorada, neurótica, mas que também tem alguns sentimentos sombrios dentro de si (ela revela que já tinha tentado matar Keane várias vezes). Se a atuação dos três atores e o humor ácido da obra são os pontos altos — e o que faz com que o espectador fique colado à poltrona até o final! —, o mesmo não se pode dizer da conclusão confusa e da resolução apressada de alguns arcos dentro da trama, o que deixou a impressão de algo feito às pressas, como se o enredo pudesse ser melhor desenvolvido. E de fato podia! Assim mesmo, foi premiado no prestigiado Festival de Cinema de Tribeca, em 2024, onde conquistou o Prêmio Público.




23 julho 2026

Um Drácula velho... e racista...



À procura de um filme para assistir em uma noite chuvosa, deparei-me com Vampira (Old Dracula — 1974), estrelado por David Niven [1910-1983]. Trata-se de uma mistura de comédia e humor, que certamente incomodaria a atual turma do "politicamente correto" devido ao teor racista e ao uso de estereótipos ofensivos. Eu não faço parte da "turminha" mencionada, mas devo confessar que também me senti bastante incomodado. No início da trama, o Conde Drácula (Niven, mais canastrão do que de costume!) oferece uma festa temática em seu castelo a coelhinhas da Playboy, tudo excessivamente colorido e cafona, bem ao gosto extravagante dos anos 1970. O real objetivo do vampiro é coletar o sangue das playmates a fim de ressuscitar a sua esposa, que se encontra desacordada há 50 anos. Drácula coleta o sangue de todas elas, e apenas um é o correto, mas seu atrapalhado ajudante, Maltravers (Peter Bayliss), faz uma mistura e o sangue que desperta a Condessa Vampira é o sangue de uma mulher negra (Minah Bird). No entanto, ao acordar, um atônito Drácula percebe que a pele da Condessa (interpretada pela bela Teresa Graves) mudou de cor. Grande parte do humor do filme mas que não tem graça alguma! — gira em torno do incômodo de Drácula com a nova cor de pele de sua companheira. 



"Os vizinhos vão comentar", diz ele a seu ajudante! A partir de então, Drácula viaja a Londres atrás das modelos, para sugar o sangue de uma mulher branca, a fim de "limpar" o sangue dela e fazê-la voltar a ter a cor original, como se o sangue e a cor de pele dos negros fosse uma "falha" a ser corrigida. Como se não bastasse, a Condessa Vampira passa a usar gírias exageradas típicas do movimento Blaxpoitaition, como "jive turkey" e "right on", uma tentativa pobre — para não dizer covarde!  de apresentar um alívio cômico baseado em estereótipos raciais. Quase ao final de tanta bobagem, o próprio Drácula é mordido por sua esposa (porque até mesmo os vampiros têm problemas domésticos!), o que faz com que a sua pele também escureça. Para isso, a produção pintou David Niven com a prática de Blackface, algo considerado altamente racista. É de se perguntar o que levou Niven, um ator consagrado em trabalhos como A Volta ao Mundo em 80 Dias (1956) Vidas Separadas (1958), Os Canhões de Navarone (1961), a aceitar uma bomba como essa! Afinal, um Drácula velho, e racista, poderia até passar despercebido na década de 1970, mas não hoje, felizmente!





 Mulher forte e à frente do seu tempo! Dizem que a mulher é o sexo frágil, mas muitas possuem mais força e resiliência do que muitos homens....