Cruzado Encapuzado — Uma temporada ainda melhor!
Estreou no dia 31 de julho a segunda temporada de Batman: Caped Crusader, no Prime Video. Surpreendentemente, o segundo ano consegue ser mais dinâmico e empolgante do que o primeiro, com algumas releituras de personagens bastante interessantes. Em comparação com a primeira temporada, a nova leva de episódios é muito mais violenta e explícita em cenas de morte e de pancadaria. Há um aprofundamento na ambientação dark/pulp do seriado, como uma homenagem às raízes do personagem, em tramas que exploram mais o submundo criminoso de Gotham City. Entre as novas versões dos inimigos clássicos do herói, Edward Nygma, o Charada, tem grande destaque nos primeiros capítulos. Após o desaparecimento do chefão Rupert Thorne, Nygma assume o comando do submundo e esta encarnação do vilão é mais crua e brutal do que estamos acostumados a ver nas histórias em quadrinhos. Quem também aparece em uma nova — e inusitada! — roupagem é o policial corrupto Jim Corrigan, que aceita se submeter a um experimento na prisão, cujo objetivo é aumentar a longevidade. No entanto, algo dá muito erado e Corrigan aparentemente morre. Diferente dos quadrinhos, aqui ele se torna o Espectro sem nenhum elemento sobrenatural (o mote é puramente científico!) e parte para punir os pecadores.
Em mais uma homenagem à Era de Ouro, a personagem Espinho (Thorn) tem seu pai, um ex-policial, assassinado pelo Charada e cria uma segunda personalidade com a qual se vinga de Nygma. Outro episódio memorável apresenta o Sr. Frio (aqui chamado Mr. Zero!) como um criminoso que limpa cenas de crime e tem como fixação congelar pessoas. Enrascado, o Batman recebe a ajuda de Carrie Kelley (nas HQ´s, a Robin criada por Frank Miller para O Cavaleiro das Trevas), que assume a identidade de Fantasma Cinzento, outra grande referência, desta vez a Batman Animated Series (1992-1995). Se na temporada anterior houve a famigerada "Pinguina", na qual foi trocado o gênero do vilão de forma grotesca, o mesmo ocorre aqui com o Chapeleiro Louco, o qual, em vez de ser Jervis Tecth, é apresentado como Hattie Tetch, a apresentadora de um famoso programa de TV, que usa a mídia para manipular a opinião pública! Todavia, a "cereja do bolo" é a apresentação de alguém oculto nas sombras, que observa e interage com os eventos nos bastidores, até ser finalmente revelado: o Coringa, em uma versão fria e calculista, que nunca sorri e mostra-se um oponente à altura do Cavaleiro das Trevas. Ele está em perfeita consonância com a visão original de Bill Finger e Jerry Robinson para o personagem. O programa é um "Elseworld", cujos enredos se passam em um universo que não é o oficial da Editora — tanto que alguns vilões morrem, aparentemente de forma definitiva (será?) —, o que permite soltar as amarras da criatividade! Ainda não se sabe se haverá uma terceira temporada, o que vigorosamente torço para que aconteça, especialmente se mantiver o mesmo nível de qualidade. Por fim, Batman o Cruzado Encapuzado foi vendido como uma "continuação espiritual" da cultuada Batman Animated, mas na verdade adquiriu uma identidade própria, e o segundo ano provou isso muito bem!
Nenhum comentário:
Postar um comentário