14 julho 2025

Dirty Harry: na contramão do politicamente correto (graças a Deus!)



Verdade seja dita: se produzidos atualmente, os filmes da série Dirty Harry, estrelados por Clint Eastwood, seriam prontamente "cancelados" pela famigerada turminha adepta à "cultura" woke. Com uma Magnum 357 em mãos e zero tolerância com a vagabundagem, certamente o Inspetor  Harry Callahan causaria repulsa à infeliz tendência em voga, de sempre relativizar o mal e querer retratar criminosos como "pobres vítimas da sociedade" e não como um mal a ser erradicado. Assisti de um só fôlego os cinco filmes em que o inspetor Harry Callahan impôs o seu caminho à bala, mesmo com a discordância de superiores e da imprensa, que julgavam seus métodos "antiquados" (vejam só, a ironia das ironias!). Produzidos em uma época sem a preocupação de atender às demandas de uma agendinha progressista, Harry, "O Sujo" — porque topava qualquer sujeira para acabar com bandidos! — protagonizou filmes policiais dignos de nota, com roteiro e direção dificilmente vistos nos tempos atuais (uma pena!). 




O primeiro da série, Perseguidor Implacável (Dirty Harry - 1971), contou com a direção de Don Siegel, com quem Estwood rodou um total de cinco filmes, entre os quais Meu Nome é Coogan (Coogan´s Bluff - 1968) Alcatraz Fuga Impossível (Escape from Alcatraz - 1979). Na trama, Harry investiga Scorpio (Andrew Robinson), um assassino que chantageia a Prefeitura sob ameaça de matar mais pessoas caso não lhe paguem a quantia pedida. Um dos pontos altos da obra ocorre quando Harry tenta almoçar, mas, do outro lado da rua, ocorre um assalto a banco. Munido com sua Magnum, e ainda mastigando seu cachorro quente, Harry se defronta com o último bandido, sangrando na calçada, e faz seu famoso discurso: "Ele disparou cinco ou seis vezes...." Quando Harry está prestes a dar as costas, o marginal diz que "precisa saber" (se havia uma última bala no tambor de seu canhão ou não), ao que Harry simplesmente aponta a arma e dispara. Por sorte — do meliante, é claro! —, não havia um último projétil. Harry sorri cinicamente e o espectador tem a prova de que ele não está para brincadeira. O restante da película é permeado por perseguições eletrizantes e uma violência crua que, com certeza, ofenderia os mais sensíveis. 







Em Magnum 44 (Magnum Force - 1973), dirigido por Ted Post, Harry investiga uma série de assassinatos de pessoas nada recomendáveis e enfrenta a corrupção de seus pares quando descobre que as mortes eram cometidas por colegas policiais com a conivência de um escalão mais alto. McCoy (Mitchel Ryan), Davis (David Soul), Sweet (Tim Matheson) e Grimes (Robert Ulrich) são bons de tiro e, a seu modo, admiram Callahan e desejam tê-lo como parceiro em seu Esquadrão da Morte, mas, mesmo com seus métodos brutos e diretos, Harry ainda defende a lei, o que o faz ser perseguido pelo quarteto nos momentos finais do filme, novamente recheado de boas cenas de ação. O contraste entre os métodos de Harry e dos quatro policiais apresenta uma linha tênue, porque Harry não hesita em usar força letal quando se trata de acabar com a ameaça de criminosos, mas mesmo ele segue um código de ética que o impede de simplesmente matar por matar. 







Em Sem Medo da Morte (The Enforcer - 1976), dirigido por James Fargo, um grupo terrorista composto por veteranos do Vietnã é investigado por Harry, o qual é obrigado a trabalhar com a inspetora Kate Moore (Tyne Daly), algo que não o deixa nada contente, sobretudo porque grande parte de seus parceiros acaba morto ou gravemente ferido. Todavia, ela vence a resistência taciturna de Harry e prova o seu valor, algo que, infelizmente, custa sua própria vida no final. Este é o filme em que um grupo de homens mantém reféns em uma loja de bebidas e exige um carro para fuga. Harry faz justamente o que lhe foi pedido: dirige o carro através da vitrine da loja e atira nos bandidos! Extremos ou não, seus métodos funcionam, mas causam uma grande dor de cabeça para a interminável — e muitas vezes estúpida! — burocracia policial, elemento fortemente criticado nos filmes. 







Em Impacto Fulminante (Sudden Impact - 1983), Clint Eastwood assume a cadeira de diretor e entrega mais uma pérola. O enredo acompanha Jennifer Spencer (Sondra Locke, na época esposa de Eastwood), uma vítima de abuso sexual juntamente com sua irmã mais nova, a qual, anos depois, caça e mata cada um de seus algozes do passado. Harry se vê com o dilema: punir a assassina ou deixá-la livre, haja vista ela própria ter sido uma vítima, algo com o qual ele pode facilmente se identificar, por considerar sua vingança justificada. Destaque para a cena do elevador, quando, após um julgamento favorável, os bandidos provocam Harry no elevador e ele agarra um deles pelo colarinho e profere mais um de seus discursos secos entredentes! Logicamente, estes tentam se vingar no decorrer da obra, mas Harry Callahan é um osso realmente duro de se roer! 






Para encerrar a série, Dirty Harry na Lista Negra (The Dead Pool -1988), no qual o inspetor Harry Callahan investiga um "concurso de morte" no qual celebridades listadas são alvos de assassinato. O problema é que o nome de Harry também consta na lista. Enquanto investiga, Callahan é obrigado a interagir com a imprensa - algo que ele odeia! -, mais especificamente com a jornalista Samantha Walker (Patricia Clarkson), a qual deseja fazer uma matéria com ele custe o que custar. Também no elenco, Liam Neeson como diretor Peter Swan, um dos suspeitos por trás da lista, e um jovem Jim Carrey como Johnny Squares, um astro de rock muito louco e uma das primeiras vítimas da "lista negra". No filme, Harry atira em um assassino da máfia em fuga pelas costas e, no final, ao melhor estilho "Dirty Harry", ele mata o vilão com um arpão! A direção ficou a cargo de Buddy Van Horn.






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