19 agosto 2025

Zack Snyder: o universo fracassado!




Antes de James Gunn assumir o novo universo DC nas telas de cinema, havia Zack Snyder — diretor de 300 (2006) e de Watchmen (2009) — e sua visão à frente dos personagens. É de conhecimento geral que a "iniciativa Snyder" flopou, e por vários motivos, desde o tom adotado pelos filmes, aos escândalos causados pelo ator Ezra Miller, o Flash, e aos cortes promovidos pela Warner, os quais em nada agradaram a Snyder e ajudaram a azedar sua relação com o Estúdio. Contudo, nem tudo de ruim pode ser posto na conta do cineasta e, no texto a seguir, falaremos mais sobre os erros e acertos do diretor.  


O pontapé inicial


O Homem de Aço (2013) marcou o ponto de partida para um novo universo DC nas telas de cinema e, como tal, era aguardado com grande ansiedade. Henry Cavill tinha o porte físico adequado e o traje parecia "OK", mas sucumbiu diante da visão excessivamente "acabrunhada" imposta pelo diretor. Ao invés de ser a esperança estampada pelo símbolo em seu peito, o personagem parecia saído de um drama shakespereano, eternamente atormentado e sem saber o seu lugar no mundo. Em defesa de Snyder, ele teve a clara intenção de "modernizar" o maior dos super-heróis para uma nova audiência, habituada à ultraviolência dos filmes e dos videogames, mas o resultado foi um Homem de Aço com que poucos encontraram algum traço de identificação. Pode-se dizer que dois momentos específicos no filme incomodaram muito: a morte de Jonathan Kent (interpretado por Kevin Costner), o qual impediu seu filho de salvá-lo, para que este não se revelasse publicamente, e o assassinato do General Zod (Michael Shannon) pelas mãos de Kal-El no ato final da obra. Para mim, foram justamente esses os momentos definidores desse "Super-Homem da nova geração". Isso para não mencionar as "naves fálicas" kryptonianas, uma escolha estética para lá de duvidosa.  




Um filme confuso


O projeto seguinte para sedimentar o universo de Snyder foi o demasiado longo (e confuso!) Batman vs. Superman: A Origem da Justiça (2016). Ao invés de um "Man of Steel 2", o diretor optou por colocar os dois principais heróis da DC — acompanhados da Mulher Maravilha! — em um confronto titânico, algo já visto nos quadrinhos na aclamada minissérie Batman: O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller, obra da qual Snyder tirou muito de sua "inspiração". Como de costume, ele caprichou nas cenas de batalha (a surra impiedosa aplicada no Super-Homem pelo Batman é memorável!), mas se a obra apresentou o apuro visual esperado, o mesmo não pode ser dito do ritmo por vezes truncado, o que evidenciou uma edição capenga. Isso ocorreu pela interferência da poderosa Warner Bros. na pós-produção, a qual, temerosa de uma possível reação negativa por parte dos fãs, cortou alguns trechos e rearranjou outros. Logicamente, "a emenda saiu pior do que o soneto", e nem mesmo Batman, Super-Homem e Mulher Maravilha conseguiram salvar o filme do fracasso. Outro problema foi a visão de Snyder para o Lex Luthor de Jesse Eisenberg, transformado em um almofadinha irritante, cuja atuação canastrona em nada ajudou. Ele parecia mais o Coringa do que Lex Luthor, o que evidenciou que o diretor não conhecia os personagens com profundidade.  




Tragédia pessoal e mais interferência dos Estúdios



O relacionamento estremecido entre Zack Snyder e a Warner prosseguiu em Liga da Justiça (2016). Infelizmente, Snyder precisou se afastar da realização do filme devido a uma tragédia pessoal: o suicídio de sua filha Autumn. A Warner então contratou Joss Whedon, diretor responsável pelos dois primeiros filmes dos Vingadores, para concluir a tarefa. Não só isso: autorizou Whedon a fazer o que bem entendesse, a fim de tornar o longa mais "palatável" ao público. Assim, Whedon descartou muito do que Snyder havia feito em prol de sua própria versão, a qual também não agradou público e crítica. E quem poderia esquecer do famigerado bigodão retocado digitalmente de Henry Cavill? O tom colorido e as costumeiras piadinhas do então "jeito Marvel" de fazer seus filmes não emplacou e, ironicamente, houve pressão por parte do público para o lançamento da versão pretendida por Snyder, batizada de "Snyder Cut" (ou o "Corte de Snyder"). Para a empreitada, a Warner investiu US$ 70 milhões para que Snyder retomasse o trabalho e finalizasse o filme de acordo com a sua visão. Isso implicou novas filmagens, o retorno de Ben Affleck, de Henry Cavill — desta vez sem bigode! — e dos demais membros da equipe. O "Snyder Cut" foi ansiosamente aguardado e finalmente lançado em 2021 no serviço de streaming HBO Max. Pela primeira vez em anos, Snyder finalmente acertou a mão e entregou - vejam só!!! - um filme e tanto! Pena que não foi o bastante para capitanear novos projetos e sepultou sua visão para o Universo DC em definitivo.




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