Grotesquerie: onde nem tudo é o que parece!
A minissérie em 10 episódios da Star Plus / FX / Disney+ chamada Grotesquerie (2024), com assinatura de Ryan Murphy (de Monstros: Irmãos Menendez) é uma boa opção aos que gostam de um programa investigativo com toques bizarros. A trama acompanha a detetive Lois Tryon (Niecy Nash), que fuma desbragadamente e afoga suas mágoas em fartas doses de vodca enquanto seu marido adúltero em coma vegeta na UTI de um hospital e sua filha com obesidade mórbida deseja ser a estrela de um reality-show sobre pessoas com dificuldades para perder peso. Quando crimes brutais com temáticas religiosas passam a aterrorizar a comunidade, ela começa a investigar e conta com a ajuda inesperada da freira Megan (Micaela Diamond), a qual escreve matérias para o Catholic Guardian e demonstra grande interesse nos assassinatos. O assassino passou a assinar seu trabalho como "Grotesquerie" (cujo significado é literalmente "grotesco"). Lois e Megan seguem as pistas de crimes que parecem ter sido cometidos por algum fanático religioso. Um tanto dark e com uma atmosfera densa, o clima de irrealidade que permeia o programa é ainda mais acentuado por alguns personagens, como o padre Charlie Mayhew (Nicholas Alexander Chavez), excessivamente arrogante e controverso, o qual seduz a Irmã Megan e parece estar implicado nas mortes e pela enfermeira abusiva Redd (Lesley Manville), que cuida de Marshall Tryon (Courtney B. Vance), marido de Lois, por quem demonstra um estranho sentimento de posse.
Lois vivencia situações cada vez mais estranhas e sinistras, mas há um ponto de virada surpreendente nos dois últimos episódios, o qual faz com que ela passe a questionar a própria sanidade, ou mesmo se está viva ou morta. Infelizmente, a conclusão da obra deixou pontas soltas, às quais, aparentemente, continuarão sem resposta. Com um elenco afinado, os destaques vão para a atuação de Niece Nash, anteriormente vista na série Monster: The Jeffrey Dahmer Story, a qual vive uma detetive experiente, mas dividida entre a mais completa insanidade e seus dramas pessoais e Nicholas Alexander Chavez, cujo talento já havia brilhado como um dos irmãos Menendez em Monstros: Irmãos Menendez, excelente como o padre que costuma a se autoinfligir e guarda segredos, possivelmente em relação aos assassinatos. Mesmo que nada seja o que realmente aparenta — sobretudo, a partir do episódio 08, intitulado "In Dreams" — o seriado sai de uma realidade delirante para adentrar outra sem que o espectador encontre o nexo ou possa se situar no que realmente está acontecendo. Fica a nítida sensação de um sonho estar dentro de um sonho, que está dentro de um sonho, que...... Assim mesmo, vale a pena assistir.
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