Mulher-Maravilha 84 anos: parte II
Na postagem anterior falei sobre a Mulher-Maravilha nos quadrinhos, de suas origens às mais recentes publicações. No texto a seguir, o foco será a participação da heroína nas mídias televisiva e cinematográfica. Diferente de personagens como Batman, Super-Homem e Capitão América, que estrelaram cinesséries na década de 1940, a Mulher-Maravilha só estreou em versão livre-action nos anos 1970, em um telefilme protagonizado por Cathy Lee Crosby, seguido pelo seriado clássico com Lynda Carter, a série cancelada de Adrianne Palicki e os filmes do caótico Snyderverse, nos quais Gal Gadot foi a Mulher-Maravilha da tela grande. Em 84 anos de existência, foram várias as versões e releituras, as quais veremos algumas a seguir. Uma boa leitura!
O curta-metragem de 1967!
Em 1967 foi produzido um curta-metragem para a TV intitulado Wonder Woman: Who´s Afraid of Diana Prince? (Mulher-Maravilha: Quem tem Medo de Diana Prince?), com direção de Leslie H. Martinson (Batman, o Homem Morcego). Tratou-se de um piloto para uma possível nova série, a qual nunca se concretizou. A abordagem empregada foi mais cômica, na tentativa de capitalizar com o sucesso estrondoso do Batman de Adam West, tanto que o mesmo William Dozier, o qual produzia e narrava o seriado do Morcego, aqui aparece como narrador. Diana Prince foi interpretada por Ellie Wood Walker, uma atriz com poucos créditos (exatamente 06 trabalhos em TV e cinema, em pontas) e a Mulher-Maravilha por Linda Harrison, que posteriormente ficaria conhecida como Nova no Planeta dos Macacos de 1968.
O telefilme de 1974
Em 1974 foi feita a primeira tentativa de produzir um seriado com a Mulher-Maravilha, em um projeto piloto para a rede ABC. Com roteiro de John D.F. Black (As Panteras) e direção de Vincent McEveety (In the Heat of the Night), coube a ex-tenista e atriz Cathy Lee Crosby o papel de Mulher-Maravilha, retratada como uma super espiã ao melhor estilo James Bond, algo bem diferente da essência da personagem nos Quadrinhos, além do fato de ter sido escolhida uma atriz loira para viver a amazona de cabelos negros, o traje ser completamente diferente do utilizado nas HQ´s e ela não ter superpoderes. Assim mesmo, os braceletes, a Ilha Paraíso e o avião invisível apareceram na telinha.
No elenco, o ator lituano Kaz Garas (Strange Report) como Steve Trevor e Ricardo Montalban (A Ilha da Fantasia) no papel do vilão Abner Smith. Na trama, Diana Prince trabalha com o agente Steve Trevor e juntos tentam capturar Abner Smith, o qual havia roubado um importante livro de códigos. Durante a missão, a dupla cruza o caminho de Ahnjayla (Anita Ford), outra amazona a qual vivia em exílio nos EUA. Mesmo com o tom de aventura, o piloto não emplacou e a ABC optou por não seguir adiante com um seriado, o que levou a um novo projeto que culminou no seriado estrelado por Lynda Carter, mais fiel às origens da personagem. Serve como curiosidade.
A série cancelada de 2011!
Em 2011, foi ao ar pela NBC Wonder Woman, filme-piloto para uma nova série da Mulher-Maravilha estrelado por Adrianne Palicki (G.I. Joe: Retaliação) e desenvolvido por David E. Kelly (Big Sky). O seriado seria um revival da série estrelada por Lynda Carter na década de 1970 e a trama se passaria nos dias atuais (dos anos 2000, é claro), onde Diana seria a diretora das Indústrias Temyscira. No enredo, a heroína combate o crime como Mulher-Maravilha e, como Diana Temyscira (sim, esse é o nome da personagem no telefilme), é a CEO de sua empresa. A fim de conciliar sua vida de empresária com a de Mulher-Maravilha, e pressionada pela imposição de ser perfeita em ambas as funções, ela cria uma terceira identidade, a de "Diana Prince", para que possa experimentar um pouco de normalidade em sua vida doméstica, longe das pressões empresariais.
Todavia, quando a empresária Veronica Cale (Elizabeth Hurley) passa a distribuir uma droga para aumentar o desempenho e a força de seus usuários — e ela levar à morte! — o choque entre elas é inevitável. Ela recebe a ajuda de um representante do Departamento de Justiça, o não é outro senão Steve Trevor (Justing Bruening), que revela estar casado com outra mulher. O uniforme usado por Palicki era uma nova versão do clássico, com calças, botas vermelhas e a aplicação de estrelas douradas nas laterais. Havia planos para uma participação de Lynda Carter, mas o resultado final não agradou e a NBC anunciou, em maio de 2011, que havia desistido da série. Como curiosidade, a presença de um Pedro Pascal (Quarteto Fantástico: Primeiros Passos) em início de carreira, o qual, anos depois, viveu o vilão Maxwell Lord em Mulher-Maravilha 1984 (2020).
O filme biográfico!
Como curiosidade: o filme Professor Marston e as Mulheres-Maravilhas (2017) conta a história de William Moulton Marston, o criador da Mulher-Maravilha, interpretado no longa por Luke Evans, e aborda seu relacionamento poligâmico com sua esposa Elizabeth (Rebecca Hall) e sua aluna Olive Byrne (Bella Heathcote). Dirigido por Angela Robinson (DEBS: As super Espiãs), a cineasta deu muito mais destaque ao triângulo amoroso vivido pelo autor e suas duas companheiras do que o processo criativo que resultou na criação da Mulher-Maravilha.
A trama tem início nos anos 1920, quando Marston e sua esposa conhecem Olive, então com apenas 22 anos, e iniciam um relacionamento. A obra também aborda o período de caça às bruxas pelo qual passou o mundo dos Quadrinhos, quando pilhas de gibis foram queimados em fogueiras porque, de acordo com os censores, eram "danosos" à juventude, pois "incitavam à delinquência e ao crime". Na trama, a heroína de Marston está na mira desses censores, devido ao excesso de sadomasoquismo e da sexualidade sugestiva evocados pela personagem. O trio de atores tem um bom desempenho, muito embora Evans não se pareça em nada com William Moulton Marston, o que não chega a incomodar.
A Mulher-Maravilha do Snyderverse!
Gal Gadot como Mulher-Maravilha foi um dos acertos de Zack Snyder (Watchmen) na escolha do cast. A bela atriz israelense emprestou graça, beleza e força à personagem. Ela apareceu pela primeira vez no excessivamente longo (e confuso!) Batman vs. Superman: A Origem da Justiça (2016), ao lado do Cavaleiro das Trevas (Ben Affleck) e do Homem de Aço (Henry Cavill) contra o monstruoso Apocalypse. A obra não foi bem recebida por público e crítica, mas veio Mulher-Maravilha (2017), dirigido por Patty Jenkins (Monster- Desejo Assassino), o qual fez grande sucesso ao contar a origem da amazona. A trama se passou na Primeira Guerra Mundial e contou com Chris Pine (Steve Trevor), Connie Nielsen (Hipólita) e Robin Wright (Antíope). Em meio às ameaçadas do front, a amazona enfrentou Maru, a Drª. Veneno (Elena Anaya) e o general alemão Erich Ludendorff (Danny Huston). O filme caprichou na reconstituição da Primeira Guerra e na construção da Temyscira, lar das amazonas.
O projeto seguinte no qual a atriz deu vida à super-heroína foi o desastroso Liga da Justiça (2017), o qual não pôde ser completado por Snyder devido a motivos familiares, razão pela qual foi parar nas mãos de Joss Whedon (Os Vingadores), o qual tentou imprimir o "jeito Marvel" de fazer filmes, mas com resultados muito aquém do esperado (além das acusações feitas por membros do elenco, como Ray Fisher, o Cyborg, e a própria Gal Gadot, de supostas condutas inapropriadas por parte de Whedon). Em seguida, foi a vez de Mulher-Maravilha 1984 (2020), novamente sob a batuta de Patty Jenkins, passado — sabe-se lá por que diabos! — na década de 1980, com Pedro Pascal como Maxwell Lord e Kristen Wiig (Cadê Você, Bernadette?) como Barbara Minerva, a Mulher-Leopardo. A sequência não alcançou o mesmo êxito do anterior e o próximo trabalho de Gadot como Mulher-Maravilha foi justamente Liga da Justiça: Snyder Cut (2021), no qual Zack Snyder teve a oportunidade de completar o projeto como pretendia originalmente.
O elenco original foi chamado para filmar novas cenas e refazer outras e, desta vez, o cineasta não decepcionou, mas já era tarde demais para o seu universo! As últimas participações da estrela no finado Snyderverse foram aparições no mediano (para ruim!) Shazam! Fúria dos Deuses (2023) e o péssimo The Flash (2023). Com o novo DCU capitaneado por James Gunn e Peter Safran, uma nova atriz viverá a Mulher-Maravilha. Até agora, passado o sucesso do recente Superman (2025), ainda não foi feito o anúncio de quem será a nova intérprete da personagem.
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