02 novembro 2025

Byzantium: vampiros em um filme elegante e memorável!




Byzantium: Uma vida Eterna (2012), contou com a direção sempre afiada de Neil Jordan (do aclamado Entrevista com o Vampiro) e novamente abordou o tema vampiros em um filme elegante e memorável. A trama é centrada em Clara (Gemma Arterton) e sua filha Eleanor (Saoirse Ronan), duas vampiras com mais de dois séculos de história. Elas são perseguidas pela Irmandade, uma sociedade secreta composta por vampiros, que não vê com bons olhos duas mulheres entre as suas fileiras. No presente, enquanto Clara trabalha como prostituta, Eleanor escreve longos diários que detalham o passado dela com a mãe. Quando Werner (Thure Lindhardt), um dos membros da Irmandade, é morto por Clara, elas são obrigadas a, mais uma vez, buscar um novo refúgio, o qual conseguem por meio do novo cliente de Clara, Noel (Daniel Mays), dono de um hotel decadente chamado Byzantium. Nele, Clara e Eleanor encontram relativa segurança e Clara estabelece um prostíbulo. O passado de Clara e Eleanor é mostrado através dos diários de Eleanor, em forma de flashbacks. Durante as Guerras Napoleônicas, Clara conheceu o sádico Capitão Ruthven (Jonny Lee Miller) e o aspirante a oficial Darvell (Sam Riley), dois oficiais da Marinha Real Britânica. Darvell se apaixonou por Clara, mas Ruthven partiu com ela e a forçou a se prostituir. 


Ruthven (à esq.) e Darvell mudaram radicalmente o destino de Clara!

Clara (à esq.) e Eleanor: mãe e filha com mais de 200 anos de história!

Clara teve uma filha, Eleanor, a qual entregou a um orfanato local e a quem passou a visitar em segredo todas as noites. Tempos depois, Darvell foi dado como morto e Clara contraiu tuberculose. Certo dia, o bordel em que Clara trabalhava foi visitado por Darvell, o qual Ruthven acreditava ter morrido anos antes e de quem traiçoeiramente havia se apossado dos bens. Darvell revelou ter se tornado um vampiro e entregou a Ruthven o mapa de uma ilha na qual era possível se tornar vampiro a quem estivesse disposto a morrer para isso. Clara não deixou passar a oportunidade, deu um tiro na perna de Ruthven, tomou-lhe o mapa e partiu para a ilha. Ao se tornar uma vampira, ela atraiu a ira da Irmandade, cujo líder, Savella (Uri Gavriel), não quis destruí-la por considerar que isso seria uma violação do código da Irmandade (afinal, vampiros não matavam vampiros). No entanto, mesmo livre para partir, ela foi advertida a jamais quebrar o código, sob pena de ser caçada e morta. Mais alguns anos se passaram e o vingativo Ruthven estuprou Eleanor, então uma bela e jovem mulher, e a infectou com uma doença venérea da qual era portador. Clara matou Ruthven e, para não ter de presenciar a morte lenta e excruciante da filha, a levou à ilha, para que também fosse transformada em uma vampira. O fato de ter transformado Eleanor, atraiu a atenção da Irmandade, de quem elas escaparam pelos dois séculos seguintes. 


Clara aproveitou a oportunidade e abraçou a vida eterna!

A Irmandade: a ameaça que pôs Clara e Eleanor em fuga por séculos! 


Porém,  Eleanor apaixona-se por um rapaz chamado Frank (Caleb Landry Jones), o qual sofre de leucemia e a quem ela deseja transformar em vampiro, para que possam ficar juntos. Ela releva a Frank o seu segredo e, quando Clara descobre, decide matá-lo, mas Darvell e Savella encontram Eleanor e a levam com eles como punição a Clara por tê-la transformado, com a intenção de destruí-la. Clara parte em busca de Eleanor, para resgatá-la e pôr fim a uma história de mais de dois séculos. Além de um elenco bem afiado, o filme traz uma estética própria, bastante diferente dos filmes convencionais do gênero. Os tradicionais caninos salientes dos vampiros são substituídos pela unha do polegar direito, a qual se alonga toda vez que os eles se alimentam. Após se tornarem vampiros, na caverna localizada na tal ilha misteriosa, as águas tornam-se rubras, como simbolismo inequívoco do nascimento de mais um imortal. Assim como o Drácula de Bram Stoker, os vampiros de Byzantium também andam à luz do dia (e quem leu o romance, sabe que o Conde só é destruído pelo sol nas adaptações hollywoodianas). O nome do personagem de Jonny Lee Miller, Ruthven, é uma homenagem a Lord Ruthven, personagem criado por John Polidori [1795-1821] para o conto sugestivamente intitulado O Vampiro (The Vampire), publicado em 1819. Médico, o Dr. Polidori foi contratado pelo poeta Lord Byron [1788-1824] em 1816. Após ser demitido, Polidori baseou Ruthven em seu ex-patrão, e o retratou como uma caricatura nada lisonjeira de Byron. Ironicamente, foi atribuído a Byron — e não a Polidori! — a autoria do conto, algo que Byron tentou desfazer depois, mas inutilmente. Curiosamente, Jonny Lee Miller interpretou Lord Byron no filme feito para TV, Byron (2003), dirigido por Julian Farino (A Liga, 2024).



 

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