03 julho 2026

O Drácula "diferente" de Luc Besson!



Fazer um novo filme de Drácula é chover no molhado, mas o diretor Luc Besson — de cults como O Profissional (1994) e O Quinto Elemento (1997) — o fez assim mesmo. Trata-se do tenebroso Drácula: Uma História de Amor Eterno (Dracula: A Love Tale), de 2025. O cineasta bebeu da fonte do Bram Stoker´s Dracula, magistralmente dirigido por Francis Ford Coppola em 1992. Na trama, o príncipe guerreiro Vlad Dracul (Joseph Caleb Landry) se transforma em um ser amaldiçoado após perder sua amada Elisabeta (Zoë Bleu) e jurar vingança contra Deus e a Igreja. A partir de então, ele passou a buscar a sua amada ao longo dos séculos, à espera que ela reencarnasse e pudessem novamente se amar (aqui, mais uma vez a surrada história da amante reencarnada, celebrizada por Hollywood, mas inexistente nas páginas do romance de Bram Stoker). Para diferenciar do filme dirigido por Coppola (e da história original), o enredo deixa a Romênia medieval e avança para a Paris do século XIX, com seus opulentos salões de festa, cenário no qual Drácula usa conhecimentos de botânica (!!!) para extrair das flores uma fragrância com a qual consegue dominar suas vítimas. 






Cansado e desgastado por 400 anos de busca — e aqui o visual do Drácula idoso e decadente é quase idêntico ao de Gary Oldman —, Drácula tem sua motivação renovada após a visita do advogado Jonathan Harker (Ewens Abid). Ele descobre que a noiva de Harker, Mina, é a reencarnação da sua Elisabeta. No entanto, entre ele e Mina está o Padre Abraham Van Helsing (Christoph Waltz), cuja ordem o persegue há 400 anos. No que diz respeito ao elenco, Caleb Landry Jones interpreta um Drácula excessivamente exagerado, um tanto teatralesco, mas em consonância com um roteiro que tenta humanizar um personagem inumanizável. Christoph Waltz, costumeiramente um bom ator, faz de Van Helsing um caçador genérico, pouco inspirado. Zoë Bleu na dobradinha Elisabeta/Mina é um deleite para os olhos, mas é só isso. Já a ambientação gótica e colorida da Paris do século XIX foi um ponto positivo, onde Drácula transita em trajes elegantes nos grandes bailes da elite decadente daquele período. Mesmo inspirado no que já tinha sido feito anteriormente, Besson bem que tentou dar um verniz de novidade ao seu Conde, com servos-gárgulas (que no âmago da história revelaram-se crianças) e sua aptidão para "perfumista" como subterfúgio para seduzir os pescoçinhos desavisados das mademoiselles francesas, uma ideia para lá de ridícula e sem o menor cabimento, como se Drácula, dotado de inúmeros poderes sobrenaturais, não fosse capaz de fazer isso por si só. Outro aspecto difícil de engolir é o embate final "Drácula X Van Helsing", onde, após 400 anos de solidão, o vampiro abriu mão de tudo muito fácil, de forma melancólica, quase patética. 



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