O Milagre Veio do Espaço: um filme tocante e divertido!
Alguns filmes são inesquecíveis e mesmo em sua simplicidade cativam o público. A década de 1980 é repleta de obras assim e aqui relembro uma delas, produzida por Steven Spielberg e dirigada por Matthew Robbins em 1987: O Milagre Veio do Espaço (batteries not included). Trata-se de um longa de ficção científica, com drama, comédia, um elenco afinado — encabeçado pelo casal da vida real Hume Cronyn e Jessica Tandy — e o nome de Spielberg como grande atrativo. A trama acompanha os moradores de um prédio na iminência de ser demolido por um empreendedor que deseja construir arranha-céus no terreno. A grande maioria dos residentes aceitou o dinheiro oferecido para deixar o edifício, exceto cinco deles: Frank (Hume Cronyn) e Fay (Jessica Tandy), um casal idoso que viveu no local por décadas; o pintor fracassado Mason Baylor (Dennis Boutsikaris); Marisa Esteval (Elizabeth Peña), uma jovem grávida abandonada pelo namorado; e Harry Noble (Frank McRae), um ex-boxeador de poucas palavras. Eles são atormentados por Carlos (Michael Carmine), que está a serviço do empreendedor e que faz pressão para que os cinco saiam definitivamente do local, inclusive arrebentar o restaurante de Frank, localizado no edifício. Em desespero, Frank roga aos céus por ajuda. E esta vem na forma mais inesperada: robôs alienígenas em forma de pequenas naves, que usam seus poderes para consertar o que está quebrado e ajudar o pequeno grupo de moradores.
O filme trouxe uma bem equilibrada combinação entre drama e comédia, com destaque ao casal veterano, que viveu junto por 52 anos e entregou uma performance sensível e divertida, que somente a parceria de longos anos poderia trazer para as telas de cinema. Os robôzinhos também são carismáticos e comprovam o talento inato de Spielberg como contador de histórias. Vale lembrar que, na época, ele já tinha "estourado" com E.T. - O Extraterrestre (1982) e era então um diretor de blockbusters. O Milagre Veio do Espaço era um projeto menor, cujo sucesso comercial foi modesto: arrecadou US$ 65 milhões de US$ 25 milhões investidos. Curiosamente, o enredo seria utilizado em um episódio do seriado Amazins Stories (1985-1987), também produzido por Steven Spielberg. Todavia, o cineasta considerou a mensagem poderosa o bastante para um longa-metragem. Outro personagem central do enredo é o prédio velho e decadente em uma rua onde todos os outros edifícios haviam sido demolidos. A produção buscou um edifício real, o qual estava bastante desgastado, em uma área de Nova Iorque, entre outros em condições igualmente precárias, e mandou construir uma fachada totalmente nova para o filme. Os cenários foram convincentes ao ponto de moradores locais confundirem o restaurante de Frank e Fay com um estabelecimento real, tanto que o departamento de saneamento enviou um caminhão para recolher o lixo, que fazia parte do cenário e estava cenograficamente empilhado do lado de fora. A trama faz alusão à expansão imobiliára agressiva ocorrida em Nova Iorque naquele período pela administração do prefeito Edward Koch.
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