Outro vampiro trash dos filmes de terror é Blácula, impagável reinterpretação do personagem criado por Bram Stoker ao melhor estilo Blaxploitation, movimento cinematográfico realizado na década de 1970 realizado por atores, diretores e produtores negros voltado para negros. Eram filmes independentes, de baixo orçamento, com narrativas que abordavam temas como criminalidade, racismo e uso de drogas em vários gêneros. No terror, Drácula ganhou uma versão "black", apropriadamente batizada de Blácula (1972), com direção de William Crain (Starsky e Hutch - Justiça em Dobro) e protagonizada por William Marshall (O Homem que Odiava as Mulheres). A trama começa em 1870, quando o príncipe africano Manuwalde (Marshall) viaja à Transilvania com sua esposa, Luva (Vonetta McGee), para visitar Drácula (Charles Macaulay) e pedir a ajuda dele para reprimir o tráfico de escravos. Além de recusar, o Conde ofende Manuwalde com seus comentários racistas e dá em cima de sua esposa. Manuwalde tenta reagir, mas é imobilizado pelos asseclas de Drácula, que suga o seu sangue, o transforma em vampiro e o aprisiona em um caixão lacrado em uma cripta oculta sob seu castelo, enquanto deixa Luva para morrer, de fome ou de asfixia. O tempo avança para 1972, quando dois decoradores de interiores, Bobby McCoy (Ted Harris) e Billy Schaffer (Rick Metzler) compram o caixão e o enviam a Los Angeles. No entanto, eles tem a brilhante ideia de abri-lo e se tornam as primeiras vítimas do vampiro. Na funerária em que o corpo de McCoy é colocado, Blácula observa seus amigos em luto, Tina Williams (Vonetta McGee), sua irmã Michelle (Denise Nicholas) e o namorado dela, Gordon Thomas (Thalmus Rasuala). Blácula se apaixona por Tina, porque acredita ser ela a reencarnação da sua princesa Luva.
Manuwalde foi amaldiçoado pelo próprio Drácula!
Tina: A amada reencarnada do vampiro!
A transformação tenebrosa de Blácula!
Já Thomas, um patologista do Departamento de Polícia, percebe a estranheza das mortes provocadas por Blácula e passa a investigar. Ele conclui que a perfuração no pescoço dos cadáveres consiste com a ação de um morto-vivo, por mais bizarro que isso possa parecer no "moderno" mundo da década de 1970. Blácula tenta se aproximar de Tina na rua, mas ela foge assutada e deixa sua bolsa para trás. Qualdo ela, Thomas e Michelle comemoram o aniversário de Michelle em uma boate, Blácula aparece para devolver a bolsa e se desculpar por tê-la assustado. Quando está prestes a ir embora, Blácula consegue convencer Tina a reencontrá-lo na noite seguinte, mas eles são interrompidos por Nancy (Emily Yancy), uma fotógrafa que tira uma foto deles. A imagem, é claro, revelará a ausência dele na fotografia. Blácula reencontra sua amada e revela a ela a verdade, mas o cerco se fecha em volta dele, quando Thomas e o tenente Jack Peters (Gordon Pinsent) seguem o rastro de mortes que levam diretamente ao vampiro. Eles chegam a uma fábrica abandonada onde Blácula se esconde. Em meio ao confronto, um policial acerta Tina e, para salvá-la, Blácula a transforma em vampira. Todavia, ela é morta com uma estaca, o que faz com que um atordoado Blácula resolva cometer suicídio. Sem propósito, sem sua amada, ele sobre as escadas e abraça o sol de um novo dia, que o destrói. Mas Manuwalde retornou um ano depois, em Os Gritos de Blácula (Screm Blacula Scream), dirigido por Bob Kelljan (Conde Yorga, Vampiro).
A sequência contou com Pam Grier, uma das expoentes do movimento!
William Marshall de volta como o vampiro negro!
Os servos do vampiro: um mais feio que o outro!
Quando Mama Loa, uma sacerdotisa vodu, morre e Lisa Fortier (Pam Grier), aprendiz adotada de Mama Loa, é apontada como sucessora, seu filho biológico, Willis Daniels (Richard Lawson), promete se vingar. Ele compra os ossos de Manuwalde de um antigo xamã do culto vodu e usa de magia para trazê-lo de volta, para que possa ser usado em seus planos de vingança. Manuwalde retorna, mas é ele quem domina Willis, agora transformado em vampiro e sob seu controle. Logo, Blácula começa a matar e a transformar suas vítimas em asseclas. O namorado de Lisa, Justin Carter (Don Mitchell), um ex-policial colecionador de antiguidades africanas e estudioso do oculto, fica intrigado com a estranheza das mortes e passa a investigar. Manuwalde conhece Lisa em uma festa e descobre que ela é versada em vodu. Após tranformar Gloria (Janee Michelle), amiga de Lisa, em vampira, esta tenta morder Lisa, mas é impedida por Manuwalde. Com sua verdadeira natureza revelada, Manuwalde pede a ajuda de Lisa para usar o vodu e livrá-lo de sua maldição. Lisa aceita e faz uso de um boneco vodu para livrá-lo da sina de ser um vampiro. Enquanto isso, Justin e o Tenente Harley Dunlop (Michael Conrad) reúnem alguns policiais e partem para o esconderijo de Manuwalde, onde enfrentam alguns de seus servos, entre os quais Willis, que acaba morto. Justin localiza Manuwalde e Lisa e interrompe o ritual, o que desperta a ira do vampiro. Ao perceber que Lisa não está mais disposta a ajudá-lo, ele ataca Justin. Quando ele está prestes a ser mordido, Lisa esfaqueia o seu boneco vodu, no peito, o que o faz gritar de agonia e morrer! Se no primeiro filme a motivação de Manuwalde era a sua amada reencarnada, a sequência apostou no drama existencialista do vampiro, cansado de sua maldição eterna. Ambas as obras trabalham com os clichês típicos do gênero, como o amor perdido reencarnado, algo celebrizado pelos filmes, aliás, porque não consta nas páginas do romance de Bram Stoker. Mesmo com baixo orçamento, os dois filmes divertem e são verdadeiros cults do movimento Blaxploitation. Curiosamente, em 2021 foi anunciada a intenção de produzir um reboot pela MGM e pela Hidden Empire Film Group. A trama seria atualizada para os tempos atuais pós-pandemia da COVID-19, com direção de Deon Taylor (O Intruso) e roteiro de Micah Randum (Caça Mortal). Porém, não se falou mais sobre o projeto, o que talvez seja ótimo se for levada em consideração a tendência hollywoodiana de estragar velhos clássicos em remakes imprestáveis e desnecessários.
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