Yorga: o vampiro!
Eu gosto de filmes de terror, sobretudo os que têm vampiros como personagens principais e mesmo aqueles que descambam para o "trash" (ao menos para mim!) são interessantes. Um exemplar dessa leva (de filme "trash") é Conde Yorga, Vampiro (1970), dirigido por Bob Kelljan (Os Gritos de Blácula) e estrelado por Robert Quarry (A Sala dos Espelhos) no papel-título, ator que imprimiu o ar cínico e aristocrático — por vezes debochado! — ideal ao personagem. Assim mesmo, suas caras e bocas exageradas em alguns momentos, quando vai sugar alguma vítima, despertam risos. Curiosamente, Quarry se envolveu no projeto após informar o ator/produtor Michael Macready que interpretaria Yorga se fosse um filme de terror, pois inicialmente a obra seria um pornô softcore chamada The Loves os Count Iorga, título o qual, inclusive, aparece em algumas cópias do filme. Samuel Z. Arkoff, chefe da America International Pictures (AIP), mudou o nome do personagem para Yorga (com "y"), a fim de torná-lo mais fácil de ser pronunciado. Filmado em Los Angeles, a produção contou com um orçamento aproximado de US$ 100.000.
| Algumas caras e bocas de Quarry despertam risos! |
Na trama, Yorga conduz uma sessão organizada por Donna (Donna Anderson) e seus amigos, Paul (Michael Murphy), Michael (Michael Macready) e Erica (Judy Lang). A intenção era contatar a mãe falecida de Donna, ex-namorada de Yorga, o qual estranhamente tinha contrariado sua vontade de ser cremada e fez com que a enterrassem. Com o término da sessão, Erica e Paul oferecem uma carona a Yorga. O terror então tem início, quando, mais tarde, Yorga ataca Paul pelas costas e suga o sangue de Erica. Eles retornam a Los Angeles após o amanhecer, sem nenhuma lembrança do ocorrido. Após consultarem um amigo médico, Jim Hayes (Roger Perry), ele eventualmente chega a conclusão de que estão lidando com um vampiro, e que Yorga é esse vampiro. O que se segue é o velho clichê dos filmes do gênero, no qual o vampiro e suas noivas — se o Drácula tem, Yorga também pode! — é confrontado em seu covil. Outro clichê é Brudah (Edward Walsh), o servo deformado do vampiro, o qual o protege enquanto ele repousa de dia. Ao final, quase todos os amigos de Donna são mortos e ela e Erica são transformadas em vampiras.
| Se Drácula pode, Yorga também pode ter suas noivas! |
O próprio vampiro vira pó ao receber uma estaca no peito e Brudah ao ser mortalmente esfaqueado. Atenção ao plot twist, mais que previsível, quando Donna e Michael conseguem escapar da casa de Yorga e esta se volta contra ele, transformada em vampira, é claro. A sequência veio um ano depois, com O Retorno do Conde Yorga (The Return of Count Yorga). Morto no primeiro filme, Yorga e seu leal servo Brudah retornam à vida em circunstâncias não explicadas. Desta vez, ele mora em uma mansão próxima a um orfanato, onde começa a fazer suas vítimas, entre as quais a professora Cynthia Nelson (Mariete Hartley), por quem ele se apaixona. As noivas de Yorga matam a família de Cynthia e ela é levada para a mansão de Yorga, onde ele a hipnotiza para acreditar que sofrera um acidente e está ali para ser cuidada por ele. O vampiro também tem sob o seu poder um dos meninos do orfanato, Tommy (Philip Frame), o qual estava presente quando a família da professora foi destroçada. A sequência não passa de uma variação do filme anterior, onde o vampiro é novamente confrontado em seu covil com a conclusão esperada: a derrota do morto-vivo (com a boa e velha estaca no peito).
| A paixão foi o início do fim para Yorga! |
Nota-se a presença de um jovem Craig T. Nelson (Poltergeist, o Fenômeno) como um dos policiais que invadem os domínios de Yorga, sem acreditar em vampiros, até que a verdade é esfregada em sua cara. Diferente da obra anterior, a ruína de Yorga tem início quando ele se apaixona por Cynthia, talvez para suavizar (ou justificar) as ações do personagem. Curiosamente, havia planos para um terceiro filme, cuja trama giraria em torno de um exército de mortos-vivos criado por um Yorga destruído e escondido nos esgotos de Los Angeles. Isso nunca se materializou (mas certamente seria, no mínimo, divertido!). A AIP também tinha planos de usar Yorga como adversário do Dr. Anton Phibes (Vincent Price) em A Câmara de Horrores do Abominável Dr. Phibes (1972), plano logo descartado, mas Quarry partipou do projeto como Dr. Biederbeck. Em uma imagem de divulgação do Retorno do Conde Yorga há o anúncio: "The Deathmaster is back from beyond the grave!" ("O mestre da morte está de volta do além-túmulo"). Deathmaster foi o título de outro filme de terror estrelado por Robert Quarry, em 1972, no qual ele fez o papel de outro vampiro, chamado Khorda.
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