28 agosto 2025

Mulher-Gato e suas muitas faces!




Há um tempo atrás fiz uma postagem sobre o filme cancelado da Batgirl, e eis que surgiu a ideia de escrever um texto sobre a Mulher-Gato, eterna inimiga/interesse amoroso do Batman. A personagem surgiu nas páginas de Quadrinhos, mas já apareceu nas mais diversas mídias, seriados, desenhos animados e até protagonizou um filme solo, o sofrível Catwoman (2004), estrelado por Halle Berry e dirigido por Pitof. Criada em 1940, ao longo das décadas a bússola moral de Selina Kyle oscilou entre o roubo e a regeneração, ora movida pela emoção de roubar e provocar o Batman, por quem sempre teve uma forte atração, ora aliada a vilões como Coringa e Pinguim ou ao próprio Batman e seus associados. Justamente por isso, por sua "moral elástica",  a Mulher-Gato é tão interessante como personagem. Afinal, ela habita em uma área cinza, na qual não pode ser simplesmente rotulada como "vilã" ou "(anti)heroína". A seguir, mais sobre Selina Kyle, suas origens e aparições em outras mídias.


A inspiração



O Batman e seu universo foi idealizado por Bill Finger (1914-1974) e Bob Kane (1915-1998) e a gênese de tão icônicos personagens é revestida de polêmica, sobretudo porque, atualmente, sabe-se que Kane tomou para si mais crédito do que realmente merecia. O assunto, por si só, merece uma postagem à parte. Seja como for, Finger e Kane eram amantes do cinema e da literatura pulp, sólidas fontes de inspiração na concepção de inúmeros conceitos. Para a Mulher-Gato, por exemplo, eles foram inspirados pelas femme fatales do cinema noir, por atrizes como Jean Harlow e Hedy Lamarr, além da prima de Kane, Ruth Steel. Eles queriam uma vilã com sex appeal, que fosse sedutora e perigosa em igual medida. Kane chegou a comparar as mulheres aos felinos, por sua independência, mas afirmou que eram tão inconstantes e difíceis de entender e de lidar quanto os gatos. Mesmo com uma visão machista, a personalidade da Mulher-Gato reflete exatamente isso, pois nunca se sabe o que ela fará a seguir, razão pela qual ela é (ainda hoje!) tão empolgante.


Jean Harlow

Hedy Lamarr


Batman #1: a primeira aparição




A Mulher-Gato surgiu em Batman Vol.1 #1 (março de 1940), na mesma edição em que o Coringa fez sua estreia. Na história, intitulada "A Gata" ("The Cat"), uma socialite idosa, a Srª. Travers, resolveu fazer um passeio de iate com alguns convidados e um colar de esmeraldas de valor inestimável. O Robin decidiu se disfarçar e se infiltrar no iate, temeroso de que houvesse um assalto. No ápice do enredo, ele e Batman descobriram que o colar tinha sido roubado pela "Gata", uma mulher jovem e atraente, mas disfarçada como uma mulher idosa entre os convidados no iate. Batman tentou entregá-la à polícia, mas ela conseguiu fugir e ficou subentendido que o Morcego poderia tê-la detido, mas não o fez porque se sentiu atraído por ela. Desde o primeiro encontro, portanto, ficou clara a tensão sexual entre eles. Afinal, não seria a primeira vez que ele a deixaria escapar. Nota-se que, inicialmente, ela se chamava "A Gata". O nome Mulher-Gato (Catwoman), bem como o primeiro traje, com saia, nas cores verde e púrpura, orelhas de gato na máscara e o chicote que utilizava como arma foram elementos adotados posteriormente.


Batman #62: origem na Era de Prata




Em Batman Vol.1 #62 (dezembro de 1950), a Mulher Gato-fez parceria com um criminoso chamado "Senhor X". Ele planejava os roubos e ela os executava. Quando Batman e Robin confrontaram a dupla, o Morcego quase foi morto e a Mulher-Gato correu para salvá-lo, mas foi atingida na cabeça por um tijolo. Levada à Batcaverna, ela despertou aos gritos e, pasmos, os heróis descobriram que ela tinha acabado de recuperar a memória como uma comissária de bordo, a qual, após um acidente sério, tinha sobrevivido, mas perdera a memória. Ela então aceitou ajudar na captura do Senhor X e, ao final da edição, decidiu se aposentar da vida como Mulher-Gato. 


Batman #69: volta ao crime?




Em Batman Vol.1 #69 (fevereiro de 1952), um criminoso autodenominado "Rei dos Gatos" começou a operar em Gotham City e seu métodos eram os mesmos usados pela então ex-criminosa Mulher-Gato. Batman e Robin descobriram que ele desejava convencer Selina Kyle a voltar ao crime com ele. A Dupla Dinâmica tentou detê-lo, mas Selina os deixou inconscientes e, com isso, permitiu que o Rei dos Gatos escapasse, na esperança de que ele fizesse a escolha certa e se entregasse à polícia. Selina libertou os heróis e eles seguiram o rastro do criminoso até o Zoológico de Gotham. Durante o confronto, Batman e Rei dos Gatos caíram nas jaulas de diferentes felinos. A Mulher-Gato chegou a tempo de salvá-los e o Rei dos Gatos finalmente se rendeu e pôde ser levado às autoridades. E eis que Batman descobriu que o Rei dos Gatos era irmão de Selina Kyle. 


The Brave and the Bold #197: uma releitura!




Nas páginas de The Brave and the Bold Vol.1 #197 (abril de 1983), na história intitulada "A Autobiografia de Bruce Wayne", a origem apresentada em Batman #62 passou por uma releitura. Ao se unir ao Batman para capturar o Espantalho, Selina Kyle revelou que nunca teve realmente amnésia. Ela tinha sido esposa de um homem abusivo e, eventualmente, decidiu deixá-lo. Ele, no entanto, tinha guardado suas joias em um cofre privado, de onde ela teve que surrupiar. Extasiada com a experiência, ela decidiu ingressar no mundo do crime como uma ladra fantasiada. A amnésia não passava de uma desculpa para abandonar a vida de crimes e se reformar. Em meio a revelações, ela e Batman entraram em clima de romance. Ainda regenerada, tempos mais tarde, Selina Kyle casou com Bruce Wayne, com quem teve uma filha, Helena. Tratava-se, é claro, da Terra-2, posteriormente descontinuada após Crise nas Infinitas Terras (ao menos, por algum tempo, mas isso também é assunto para outra postagem). 


Pós-Crise




Após a mega-saga Crise nas Infinitas Terras (1985), a DC promoveu um reboot no qual os personagens passaram a ter novas origens e uma única Terra passou a existir em detrimento das várias Terras existentes até então. Nesta fase, Selina Kyle foi retratada como uma órfã, a qual tinha que se virar sozinha nas ruas para sobreviver. Adulta, tornou-se garota-de-programa e, posteriormente, com o surgimento do Batman, sentiu-se estimulada a mudar de vida. Inspirada pelo Morcego, ela criou um traje e passou a atuar como a Mulher-Gato, uma sensual e habilidosa ladra. Ela e Batman passaram a ter um relacionamento complexo desde o primeiro encontro, onde, mesmo atraídos um pelo outro, continuaram fiéis às suas convicções: o Batman como um defensor da lei e ela como uma criminosa. 


Uma série memorável!



A Mulher-Gato estrelou uma série própria digna de nota de 1993 a 2001. Jo Duffy escreveu o primeiro arco intitulado "Sinais Vitais" com desenhos de Jim Balent, o qual ilustrou grande partes das edições e se tornou o artista mais longevo da série. A Mulher-Gato de Balent, curvilínea e voluptuosa, definitivamente era um show à parte! O uniforme da (anti)heroína era um traje roxo, com máscara com orelhas de gato, botas largas e um chicote, elementos fetichistas e sensuais na composição da personagem. Jo Duffy roteirizou 14 edições e deixou o título após a saga Zero Hora, quando Chuck Dixon assumiu. Posteriormente, durante a fase Cataclismo, Devin Grayson tornou-se a escritora regular e John Ostrander a roteirizou durante a fase Batman: Terra de Ninguém. Durante a série, Selina Kyle foi retratada como uma ladra de reputação internacional, a qual agia ocasionalmente como calçadora de recompensas, sempre com o código moral ambíguo que sempre a caracterizou. Sua origem também foi abordada - seu início como ladra, o período na prisão juvenil e seu treinamento com o Pantera, Ted Grant, antigo membro da Sociedade da Justiça -, além da adoção de Arizona, uma adolescente fugitiva, e suas batalhas contra Christina Chiles, a vilã conhecida como Cyber Cat. Ao mudar-se para Nova Iorque, Selina tornou-se a vice-presidente corporativa e CEO da Randolph Industries, uma corporação influenciada pela máfia por meio de chantagem. Entretanto, sua ambição e planos de usar dessa posição para concorrer à prefeitura foram arruinados pelo Trapaceiro, o qual fez a conexão entre Selina Kyle e a Mulher-Gato. 


Uma nova virada na origem!




Em Batman: O Longo Dia das Bruxas (1998), de Jeph Loeb e Tim Sale, Selina Kyle foi revelada como filha ilegítima do mafioso Carmine Falcone, algo também abordado em Catwoman: When in Rome (2004), Batman Eternal (2014-2015)no filme de Matt ReevesThe Batman (2022), onde Selina trabalha como garçonete no Iceberg Lounge, do Pinguim, e seu relacionamento com o pai e com o mundo do crime são importantes no desenrolar da tramaA possível ligação de Selina Kyle com a máfia torna sua origem ainda mais rica e interessante, mas tal acréscimo às raízes da personagem depende do autor e da versão, pois ela já foi apresentada com outros pais, ou a suposta afiliação foi questionada. Portanto, não é algo canônico dentro da continuidade oficial da DC Comics


Os Novos 52!




Em 2011, a DC lançou a iniciativa The New 52!, nas qual promoveu um reboot parcial de seu universo (porque Batman e Lanterna Verde sofreram muito poucas alterações em comparação aos demais), no qual heróis e vilões receberam novas origens. No caso de Selina Kyle, foi revelado que ela havia treinado para ser ladra no orfanato Oliver´s Group Home, pela proprietária, a quem usava as crianças sob seus cuidados para roubar. Durante esta fase, na qual a Editora lançou 52 novos títulos, também foi mostrada a busca de Selina por seu irmão, Aiden, e como a sua perícia no roubo a levou a trabalhar no gabinete do prefeito, onde passou a investigar mais sobre  seu passado. Ao se deparar  com a verdade, alguém a empurrou de um telhado, o que a fez perceber que ela era alguém importante o bastante para que alguém se desse ao trabalho de  tentar matá-la. Tentativa frustrada, ela adotou a identidade de Mulher-Gato como forma de sobreviver e manter seu segredo.  Durante os Novos 52, ela e Batman fizeram sexo sobre os telhados de Gotham, em cenas quentes nas quais a DC vetou algumas páginas, porque a hipocrisia e a falsa moral dos americanos é, por vezes, forte demais.


Renascimento




Após os Novos 52!, a DC trouxe muitos conceitos perdidos de volta em sua nova empreitada batizada de Renascimento (Rebirth). Nela, Selina Kyle foi presa no Asilo Arkham pelo assassinato dos Cães de Guerra, os quais não cometeu, o que levou Batman a fazer um acordo com Amanda Waller para libertá-la em troca de sua ajuda em uma missão para localizar o Pirata psíquico. Antes mesmo de provar a inocência de Selina, ela escapou e o Cavaleiro das Trevas descobriu ser Holly Robinson, com quem Selina cresceu, a verdadeira culpada. Nesta fase, o herói a pediu em casamento e eles partiram em uma jornada a Khadym, para onde Holly tinha fugido, para limpar o nome dela, o que os colocou frente à frente com Talia al Ghul, filha de um dos maiores inimigos do Batman, mãe de Damian Wayne e antiga amante do Morcego.


Em outras mídias!




Como afirmado no início desta postagem, a Mulher-Gato já apareceu em diversas outras mídias, de séries de TV, interpretada por quatro atrizes diferentes, a desenhos animados e filmes. Algumas aparições foram memoráveis, enquanto outras nem tanto. Seja como for, a personagem está por aí há 85 anos e tem fôlego para muito mais. Abaixo as aparições da Mulher-Gato em outras mídias.


TV:


Julie Newmar




A atriz teve algumas participações não creditadas em filmes como Os Homens Preferem as Loiras (1953) e Demétrio e os Gladidores (1954), além de ter participado de seriados como Route 66 (1962), Além da Imaginação (1964) e My Living Doll (1964-1965), onde integrou o elenco principal no papel da robô Rhoda. Ao aceitar o papel de Mulher-Gato no seriado de 1966, ela criou uma personagem realmente icônica durante duas temporadas, quando deixou o programa e foi substituída por Eartha Kitt. Após Batman, Newmar continuou a aparecer eminentemente em séries, como Jornada nas Estrelas (1967)O Jogo Perigoso do Amor (1970-1972) e em alguns filmes. Ela foi homenageada em Too Wong Foo, Obrigada por Tudo! Julie Newmar (1995), onde fez o papel dela mesma em uma divertida comédia estrelada por Patrick Swayze e Wesley Snipes. Ela voltou ao universo de Batman em 2003, no filme Retorno à Batcaverna: As Desventuras de Adam e Burt, uma deliciosa reunião de parte do elenco original do seriado: Adam West, Burt Ward, Lee Meriwether e Frank Gorshin. Ela dublou Martha Wayne em "Chill of the Night", episódio de 2010 da série animada Batman: Os Bravos e Destemidos (2010), e nos dois filmes animados baseados na série de TV, Batman: O Retorno da Dupla Dinâmica (2016) e Batman vs. Duas-Caras (2017), nos quais deu vida, é claro!, à Selina Kyle/Mulher-Gato



Lee Meriwether





Batman: O Homem Morcego (1966) foi a primeira versão cinematográfica de Batman, cuja estreia se deu após o final da 1ª temporada do seriado. O filme tinha sido pensado como o piloto da série, mas seu alto custo inviabilizou o projeto, o qual foi retomado com o sucesso do programa e no intuito de vendê-lo para o exterior. Curiosamente, Julie Newmar não pode participar do longa-metragem e Lee Meriwether a substituiu. Mesmo bem aceita pelo público, Newmar retornou para a 2ª temporada, mas Meriwether ainda participou de dois episódios, mas como outra personagem. A atriz também teve participações em várias séries de TV, como Dr. Kildare (1963-1965), 12 O´Clock High (1965-1966) e O Túnel do Tempo (1966-1967), no papel da memorável Drª. Ann MacGregor. Juntamente com Julie Newmar, Frank Gorshin, Adam West e Burt Ward, fez uma ponta em Retorno à Batcaverna: As Desventuras de Adam e Burt (2003) e em um papel de voz no filme animado Batman vs. Duas-Caras (2017). Curiosamente, ela trabalhou na série Rise of the Catwoman (2018), feita por um fã, na qual o episódio piloto, de 12 minutos, foi lançado no You Tube pela Hidden Vault Films e apresentou uma história de origem alternativa para Selina Kyle. 




Eartha Kitt




Atriz, cantora e dançarina, Eartha Kitt [1927-2008] foi a primeira mulher negra a interpretar a Mulher-Gato após a saída de Julie Newmar ao final da 2ª temporada. Kitt adicionou maneirismos felinos e um ronronar sensual à personagem. O fato de ser a primeira mulher negra a interpretar o papel foi um marco significativo para a cultura popular e se mantém como uma das mais icônicas abordagens à personagem. Eartha Kitt fez aparições em séries como Missão Impossível (1967), Police Woman (1978) e Miami Vice (1985). No cinema, teve destaque no filme da Blaxploitaition Friday Foster (1975) e seu talento lhe rendeu os prêmios Emmy (TV), Grammy (música) e Tony (Teatro). Ativista, criou polêmicas por suas declarações, sobretudo contra a Guerra do Vietnam, o que fez com que passasse a ser persona non grata pelo governo dos EUA. Isso fez com direcionasse sua carreira para fora dos EUA e fixasse residência em Londres. Ela morreu aos 81 anos, em decorrência de um câncer de cólon.



Camren Bicondova



Entre 2014 e 2019, Camren Bicondova interpretou Selina Kyle na série Gotham, a qual apresentou um jovem detetive James Gordon (Ben Mckenzie). O seriado trouxe David Mazouz como um Bruce Wayne, o qual havia acabado de perder seus pais e uma série de seus futuros inimigos em começo de carreira, como Pinguim (Robin Lord Tayor), Charada (Cory Michael Smith), Coringa (Cameron Monaghan) e, é claro, Bicondova como uma Selina Kyle adolescente. A série teve algumas boas sacadas - entre as quais a interpretação de Robin Lord Taylor e de Cameron Monaghan -, mas não agradou a um público que desejava ver o Batman e não somente seus antagonistas. A inclusão de Camren Bicondova nesta lista serve meramente como registro e sequer é algo memorável em meio a inúmeras adaptações do universo dos personagens.




Cinema:


Michelle Pfeiffer




Sean Young queria muito ser a Mulher-Gato e, inclusive, no intuito de ser notada, vestiu-se com uma fantasia caseira da personagem e apresentou-se à produção de Tim Burton e no talk show de Joan Rivers. Vale lembrar que ela tinha sido considerada para o papel de Vicky Vale em Batman (1989), o qual foi dado a Kim Basinger após ela sofrer uma lesão. Em Batman: O Retorno (1992), os esforços de Young redundaram em nada e o papel ficou com Michelle Pfeiffer, a qual fez história na pele da vilã. Na trama, ela interpretou uma Selina Kyle tímida e insegura, secretária de Max Shreck (Christopher Walken), um empresário corrupto de quem descobre segredos e, a fim de silenciá-la, é jogada por uma janela. No entanto, ela sobrevive, renascida como uma mulher sedutora e sedenta por vingança. O traje da vilã, preto, de couro, justíssimo ao corpo e repleto de costuras aparentes, também marcou a interpretação inesquecível de Michelle Pfeiffer.



Halle Berry




O diretor Pitof (Vidocq - O Mito) dirigiu Mulher-Gato (2004), verdadeiro fracasso de bilheteria (arrecadou pouco mais de U$ 82 milhões dos US$ 100 milhões investidos), de público e de crítica. Inclusive, rendeu um Framboesa de Ouro (premiação concedida aos piores da indústria) à protagonista, Halle Berry, a qual deu mostras de bom humor e foi receber o prêmio. Na ocasião, ela agradeceu a Warner por "colocá-la nesta bosta de filme!" Ela foi a segunda atriz negra a interpretar a personagem, a qual, no filme, não tinha nada a ver com Selina Kyle. Ela se chamava Patience Phillips e recebeu poderes felinos após ser assassinada. O projeto inicialmente seria protagonizado por Michelle Pfeiffer, mas ela detestou o traje que seria usado, o qual a lembrou das dificuldades para vestir a roupa de Mulher-Gato em Batman Returns (1992). Com a recusa, o roteiro foi totalmente alterado.



Anne Hathaway




Para buscar inspiração para o papel de Selina Kyle em Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (1992), derradeiro capítulo da trilogia de Christopher Nolan (A Origem), Anne Hathaway assistiu a vídeos de gatos, a fim de emular a agilidade dos felinos. Curiosamente, durante a audição, Hathaway acreditava que o papel para o qual faria o teste seria o de Arlequina, e não de Mulher-Gato, de acordo com a Rolling Stone Brasil. Mesmo com a abordagem realista de Nolan, o traje usado pela atriz ficou bastante sexy, realçou suas formas e incluiu óculos de proteção, em vez de uma máscara com orelhas de gato e luvas com garras.



Zoë Kravitz



The Batman (2022), de Matt Reeves, dividiu opiniões entre os que gostaram do Bruce Wayne / Batman depressivo de Robert Pattinson e os que odiaram (eu, particularmente, estou entre os que odiaram, mas gosto é gosto!). No entanto, Zoë Kravitz (Big Little Liars) foi uma das boas novas como Selina Kyle, cuja atuação foi amplamente elogiada pela crítica. O roteiro explorou a bissexualidade de Selina Kyle em sua relação com Annika (Hana Hrzic). Em sua preparação para o papel, Kravitz treinou capoeira a fim de incorporar os movimentos felinos da personagem. Diferente de outras versões, o traje utilizado por ela foi mais tático e menos fetichista, o que demonstrou a intenção do cineasta de fazer uma versão mais realista da (anti)heroína.




Animações:


Batman The Animated Series (1992-1995)




A série animada de Bruce Timm trouxe, para muitos fãs, a versão "definitiva" do herói. A ambientação noir mesclada a elementos modernos, ao Cavaleiro das Trevas soturno, como era em suas origens, e a melhor galeria de inimigos que um super-herói pode ter foram elementos muito bem trabalhados por Timm e sua equipe. A Mulher-Gato foi presença marcante em muitos episódios, com um visual platinado (possivelmente, em homenagem à Jean Harlow, uma das inspirações de Finger e Kane na gênese da personagem) e um traje cinza, o qual, posteriormente, foi substituído por um preto, em The New Batman Adventures (1997-1999). Em ambas as animações, Selina Kyle foi dublada pela atriz Adrienne Barbeau (Fuga de Nova Iorque).



Mulher Gato: A Caçada (2022)





No filme animado Catwoman: The Hunt (2022), a Mulher-Gato tentou roubar uma joia valiosa de uma luxuosa mansão pertencente a um grupo criminoso internacional. Após escapar com o roubo, ela foi parada pela Batwoman e pelos agentes da Interpol Julia Pennyworth e King Faraday, os quais a persuadiram a ajudar no desmantelamento do grupo criminoso em troca de sua liberdade. Elizabeth Gillies (Dinastia) deu voz à Mulher-Gato, acompanhada por Stephanie Beatriz (Batwoman), Lauren Cohan (Julia Pennyworth), Jonathan Frakes (King Faraday), Zehra Fazal (Talia al Ghul), entre outrosCuriosamente, o Batman não aparece no filme, e coube à Batwoman o papel de co-protagonista. Produzido pela companhia japonesa OLM, teve direção de Shinsuke Terasawa (Ghost in the Shell:Arise - Limite 2: Sussurros Fantasmas), com roteiro de Greg Weisman (Justiça Jovem). O visual da animação traz uma estilização mais voltada para o anime. 



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