05 novembro 2025

 Guerra Fria: John Byrne e seu 007!



Li de um só fôlego o especial de John Byrne Guerra Fria: O Dossiê Michael Swann (Cold War: The Damocles Contract), lançado nos EUA pela IDW entre 2011 e 2012. A obra acaba de chegar ao Brasil, por intermédio de uma nova editora, a Cyberpulp Comix, que lançou uma campanha no Catarse. Famoso por sua passagem pelos X-Men, Quarteto Fantástico, pela redefinição do Super-Homem a uma nova geração de leitores, entre incontáveis personagens nos quais imprimiu seu talento, Byrne produziu uma trama ambientada em plena Guerra Fria. Protagonizada por Michael Swann, um agente do MI-6 claramente inspirado em James Bond, ele é truculento e sem temor da morte, mas também é um cafajeste que sabe usar seu charme quando necessário. Assim como Bond, Swann também tem jeito com as damas, também gosta de fumar e não tem medo de encarar a morte de cara!





A história começa na Europa Oriental, em sequências sem fala de tirar o fôlego, nas quais Swann finaliza mais uma de suas missões. De volta à Inglaterra, Swann desentende-se com seu superior e pede demissão, mas não era o fim de sua relação com o Serviço Secreto. Ele aceita trabalhar como freelancer para o MI-6, em missões sujas, que somente alguém como ele poderia levar a cabo. Seu próximo trabalho é fazer a segurança do laboratório no qual o cientista britânico Rupert Kemp tem feito grandes avanços para a corrida espacial da Inglaterra. No entanto, a real incumbência de Swann é impedir que o referido cientista e sua filha desertem para a União Soviética, em meio a vários perigos e a presença de uma espiã russa sexy, que irá para a cama com ele, mas não hesitará em matá-lo! Com um ritmo que lembra um bom livro ou filme de espionagem, Byrne completou um roteiro muito bem amarrado com a costumeira arte detalhista, com especial cuidado a detalhes de época e às cenas de ação. A edição em formato americano (17cm X 26cm), com 124 páginas coloridas em papel couchet, capa cartonada e material extra é plenamente satisfatória. É muito bom ler um Byrne afastado dos super-heróis e da ficção científica (dois elementos que ele domina como ninguém), o que só vem a comprovar a versatilidade do seu gênio. Leitura alltamente recomendável!


Sobre a edição


Em sua edição de estreia, a nova editora mostrou a que veio, com um tratamento de quallidade ao material de um autor reverenciado no Brasil. Todavia, faço aqui duas pequenas ressalvas, que em nada depõem contra o excelente trabalho realizado pelos editores, mas que serve como uma crítica construtiva para as próximas publicações. No final da edição, no texto intitulado "A Guerra Fria e a Cultura Pop" — aliás, muito bem escrito por Gelson Weschenfelder —, foram referenciados alguns filmes e séries das décadas de 1970 e 1980, cujos enredos abordavam o período. Entre eles, foi citada a série The Americans — estrelada por Mathew Rhys e Kerry Russell como dois agentes soviéticos infiltrados na sociedade americana — com a data entre parêntese de 1983, quando, na verdade, a trama se passava justamente neste período, mas a produção é de 2013 (com um total de seis temporadas até 2018, quando finalmente foi encerrada). 


A série retrata bem o período, mas sua produção é de 2013!

Ao lado do texto "John Byrne na IDW Publishing", de autoria de Pedro Bouça, há uma foto do artista, mas do John Byrne errado. Ao invés de ser  a imagem do autor da obra, John Lindley Byrne, prestigiado desenhista e roteirista de quadrinhos, o qual trabalhou para a Marvel e para a DC, encontra-se a imagem do igualmente talentoso John Byrne, pintor e dramaturgo escocês, autor de séries da BBC, falecido em 2023, aos 83 anos. Ressalvas à parte, como afirmado antes, a qualidade geral da obra demonstra a excelência de uma edição de estreia em um mercado tão árido quanto o brasileiro. Parabéns aos envolvidos na obra, e que venham muitas mais!


John Byrne: autor de Cold War!


John Byrne: artista escocês falecido em 2023!


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