14 novembro 2025

Vampiras protagonistas!




Eu gosto de filmes de vampiro. Mesmo os mais "meia-boca" eu assisto e quase sempre consigo achar divertido. O mais recente foi uma produção alemã, de 2010, intitulada As Donas da Noite (Wir sind die Nacht), com direção de Dennis Gansel (Der Tiger). Ao contrário da grande maioria de longas estrelados por vampiros, aqui o protagonismo fica por conta delas. Inclusive, o motivo para isso é explicado em uma passagem, quando é revelado que os vampiros foram eliminados por humanos, ou por suas próprias companheiras vampiras. A falta de cuidado os levou à extinção, e elas, sem querer serem dominadas por eles, terminaram o serviço. Ironicamente, a mesma coisa acontece com elas no âmago da obra, quando são expostas e confrontadas pela ruidosa humanidade. O trio de vampiras é um show à parte. A líder, Louise (Nina Hoss), comanda uma boate um tanto seleta e está à procura de uma nova companhia; Nora (Anna Fischer) é a mais maluca e despachada das três (as tiradas mais engraçadas vêm dela); e Charlotte (Jennifer Ulrich), amante de bons livros e de música, está sempre melancólica e depressiva. Elas desfrutam de uma existência de luxo e de prazeres, regada a carros caros, suítes luxuosas e, logicamente, muito sangue! Quando Lena (Karoline Herfurth), uma ladra que recentemente tinha conseguido escapar das mãos da polícia vai à boate delas, Louise se encanta por ela e decide transformá-la. O problema — e Louise irá descobrir isso posteriormente! — é que Lena tinha se apaixonado por Tom (Max Riemelt), o detetive que havia falhado em prendê-la (e que também estava enamorado dela). 


Louise, a líder!

Nora, a espavitada!

Charlotte, a melancólica!

Lena a um passo de ser transformada!

Lena tenta adaptar-se à sua nova realidade e às investidas de Louise, que se mostra muito interessada nela. Aqui, mais uma vez, há a exploração da solidão eterna e da homossexualidade, elementos praticamente indissociáveis nas obras vampirescas, pois ambos se casam de forma dolorosa, mesmo que o desejo transcenda o mero ato sexual e encontre perfeita consonância com o pesar de uma existência que se arrasta por séculos, às vezes por milênios. Lena rejeita Louise, mesmo após ter recebido o "presente" (maldição!) de uma vida eterna. Outra personagem interessante é Charlotte, cujo visual lembra o das mulheres dos anos 1920, justamente porque foi o período em que foi transformada, à força, por Louise. Para abraçar sua nova vida, ela, uma atriz do período do cinema mudo, deixou marido e filha para trás. O passado, todavia, retorna para assombrá-la em uma das cenas mais emocionais do filme, quando ela vai ao hospital se despedir da filha, extremamente idosa e moribunda. O filme tem lá suas dificuldades técnicas e, ao invés de grandes efeitos, limita-se à simplicidade, o que não estraga o resultado final. Um bom exemplo é a transformação de Lena, com seu visual doentio, de alguém afeito ao uso frequente de drogas, para uma nova persona, bela e viçosa. No tocante ao trio, Nina Hoss, com sua beleza madura, segurou muito bem sua personagem e passou a segurança e o imperativo necessários a alguém que anda por aí há tanto tempo. Para quem gosta de uma diversão descompromissada, As Donas da Noite é, com certeza, uma boa pedida. 




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