11 janeiro 2026

Supergirl: A Mulher do Amanhã — Parte II



Desde os anos 2000 a Supergirl voltou a ter o merecido destaque nos Quadrinhos, após uma ausência de quase 20 anos das publicações (e aqui refiro-me à clássica personagem, Kara Zor-El, sem contar com a versão de John Byrne do pós-Crise). Em outras mídias, a Supergirl ganhou as telas de cinema em um filme solo protagonizado por Helen Slater, que, infelizmente, não foi nada bem nas bilheterias. A heroína só foi ter protagonismo em um novo produto audiovisual em 2015, com o seriado do canal CW estrelado por Melissa Benoist, o qual, em seis temporadas, teve lá os seus bons momentos. Agora, as atenções se voltam para o filme de 2026, com Milly Alcook, em mais um capítulo do novo DCU. A postagem a seguir fala justamente sobre a participação da Garota de Aço nas mídias cinematográfica e televisiva. 


Supergirl (1984)




Em 1984, para aproveitar o sucesso dos filmes do Super-Homem (pelo menos, dos dois primeiros....) estrelados por Christopher Reeve, chegou às salas de cinema Supergirl, dirigido por Jeannot Szwarc (Tubarão 2), com roteiro de David Odell (Mestres do Universo) e com Helen Slater (A Lenda de Billie Jean) no papel principal. Com um orçamento de US$ 35 milhões, arrecadou decepcionantes US$ 14 milhões nas bilheterias, em um desempenho muito aquém do esperado, cujo elenco estelar, com nomes como Mia Farrow, Faye Dunaway, Peter O´Toole e Brenda Vaccaro, em nada ajudou. Vale lembrar que o fracasso da obra levou os produtores Alexander e Ilya Salkind a, em 1986, venderem os direitos dos filmes do Super-Homem para o The Cannon Group Inc. (o que significaria produções de orçamento limitado e de qualidade sempre baixa, como o desastroso Superman IV: Em Busca da Paz, de 1987, último filme da franquia). Na trama, Kara Zor-El (Slater) vivia em Argo City, uma comunidade isolada que havia sobrevivido à destruição do planeta Krypton ao ser transportada para uma região interdimensional denominada "Espaço Interior". O mago Zaltar (Peter O´Toole) permitiu que ela observasse um poderoso artefato chamado Omegahedron, fonte que alimentava Argo e que ele tinha tomado emprestado sem o consentimento do governo da cidade. Quando um acidente lançou o Omegahedron ao espaço, Kara partiu em busca dele, a bordo de uma nave que a levou à Terra, onde ela se transformou na Supergirl. No entanto, o Omegahedron já tinha sido  encontrado por Selena (Dunaway), uma ambiciosa aspirante a bruxa, e sua aliada Bianca (Vaccaro), que planejava se libertar de um relacionamento com o feiticeiro Nigel (Peter Cook). Selena logo percebeu que o Omegahedron continha poder suficiente para lhe conceder magia real. Enquanto buscava o artefato, Kara criou a identidade de Linda Lee e se matriculou em uma escola só para garotas, onde fez amizade com Lucy Lane (Maureen Teefy) e se apaixonou pelo zelador, Ethan (Hart Bochner). Selena também ficou interessada por ele, e usou uma poção do amor capaz de fazê-lo se apaixonar pela primeira pessoa que ele visse durante o dia. Porém, o plano de Selena falhou quando, em sua ausência, Ethan recuperou a consciência e vagou pelas ruas.  




Furiosa, Selena usou sua magia para trazê-lo de volta. Como Linda Lee, Kara salvou Ethan e ele se apaixonou por ela (o tal feitiço, lembram?). Enquanto tentava lidar com o apaixonado, Linda foi emboscada por Selena, mas se transformou na Supergirl e a prendeu em fios. Livre e de volta à sua casa, Selena pediu a Nigel que  teletransportasse Ethan para longe, no intuito de atrair a Supergirl. Assim, a bruxa conseguiu o que desejava: capturou Ethan e aprisionou a Supergirl na Zona Fantasma, onde, sem poderes, ela vagou pela paisagem desolada e quase se afogou em um pântano. Ela encontrou Zaltar, o qual havia se exilado na Zona Fantasma como forma de expiar sua culpa por ter perdido o Omegahedron e que sacrificou a própria vida para ajudá-la a escapar. Na Terra, Selena usou o artefato para se tornar uma princesa e ter Ethan como seu consorte, além de uma fortaleza na montanha e motoqueiros "barra-pesada" para protegê-la. Livre da Zona Fantasma através de um espelho, a Supergirl recuperou seus poderes e confrontou Selena, que usou o artefato para invocar um demônio. Após uma árdua batalha inicial, Nigel disse a Supergil que o único modo de vencer Selena era virar o demônio contra ela. Assim, a heroína criou um redemoinho concentrado, o qual aprisionou Selena, que foi incapacitada pelo demônio enquanto o redemoinho puxava também Bianca. Elas foram sugadas através do espelho e presas dentro dele. Liberto do feitiço de Selena, Ethan admitiu seu amor por Linda, ciente de que ela e a Supergirl eram a mesma pessoa. Ele também compreendeu que ela precisava salvar Argo, e que talvez não a visse novamente. Kara devolveu o Omegahedron para Argo City, que novamente se iluminou. Com participação especial de Marc McClure (o Jimmy Olsen dos filmes de Christopher Reeve), havia a possibilidade de uma aparição de Christopher Reeve, o que certamente daria maior credibilidade ao filme, o que infelizmente não aconteceu, porque, após o fracasso de Superman III (1983), Reeve estava cansado de interpretar o personagem e prometeu que só voltaria em um projeto que valorizasse devidamente o seu trabalho. No filme, para explicar a ausência do personagem, foi colocada uma foto de Christopher Reeve como o herói em um pôster no quarto de Lucy Lane e uma cena em que se dizia que o Super-Homem "havia deixado a Terra em uma missão de 'busca de paz'".



Supergirl (2015-2021)



Ao longo de sete anos e seis temporadas, Melissa Benoist deu vida a Kara Danvers / Supergirl, em um seriado que teve um bom desenvolvimento de personagens, como a própria Kara, Lena Luthor (Katie McGrath) e Alex Danvers (Chyler Leigh). O episódio-piloto bateu recordes para uma série baseada em uma personagem de Quadrinhos. Os crossovers com outras séries da CW se tornaram verdadeiros eventos, alguns memoráveis, como "Crise na Terra-X" e "Melhores do Mundo"; outros, como "Crise nas Infinitas Terras", completamente esquecíveis e descartáveis. 




A série também debateu temas como preconceito, xenofobia, fake news, entre outros assuntos, mas de forma panfletária, bem ao gosto da cartilha progressista (woke), que infelizmente permeou (e permeia!) todo e qualquer produto na atualidade, de filmes e séries a Quadrinhos, jogos e desenhos animados. O programa também apresentou velhos conhecidos dos Quadrinhos, como Mon-El (Chris Wood) e o marciano J´onn J´onzz (David Harewood), este presente nos 126 episódios da série. No que tange à Supergirl, o uniforme usado por Melissa Benoist está muito bem caracterizado e fiel à fonte. Os efeitos visuais também são muito bons, o que levou a série a um novo patamar de qualidade.  




Flash (2023)


Sasha Calle, da série The Young and the Restless (2018-2021), foi a terceira atriz a interpretar a Supergirl em um audiovisual, no famigerado filme solo do Flash dirigido por Andy Muschietti. Na trama, o aparvalhado Flash de Ezra Miller voltou no tempo para salvar a sua mãe, Nora (Maribel Verdú), de ser assassinada, mas, ao alterar o passado, ele inadvertidamente criou um nova e caótica realidade, na qual o General Zod (Michael Shannon), sem a presença de um Super-Homem para defender a humanidade, tornou-se uma grande ameaça. O Flash então partiu em busca da ajuda do Batman, mas, em vez de encontrar o Cavaleiro das Trevas que conhecia (Ben Affleck), deparou-se com o Batman interpretado por Michael Keaton. 





Para ajudá-los contra Zod, eles precisam libertar Kara Zor-El, uma kryptoniana aprisionada em uma instalação secreta na Sibéria, usada como cobaia de experimentos, mas uma poderosa aliada. Baseada na HQ Flashpoint, a Supergirl tem um papel que, na revista, pertence ao Super-Homem. Calle interpretou uma Supergirl morena, com uma atitude mais agressiva, um uniforme semelhante ao do Super-Homem, mas totalmente descaracterizada em relação aos Quadrinhos. A atuação da atriz poderia receber algum comentário, mas limito-me a dizer que é ruim como praticamente tudo no filme (com exceção do Batman de Keaton, que foi muito mal aproveitado, diga-se de passagem). 




Supergirl (2026)




Milly Alcok é a nova intérprete da Supergirl nos cinemas, no filme a ser dirigido por Craig Gillespie (Cruela). A atriz de 25 anos é conhecida por séries como High Life (2017), Reckoning: Ajuste de Contas (2019-2020), Upright (2019-2022) e A Casa do Dragão (2022-2024). Foi esta última, na qual Alcock interpretou uma jovem Rhaenyra Targaryen, que impressionou James Gunn a ponto de considerá-la para o papel de Supergirl. Gunn afirmou ter ficado impressionado com o carisma da atriz e sentiu que ela tinha "algo especial" para viver uma Supergirl mais "hardcore" nas telas, sobretudo porque o material inspirador do longa é a minissérie Supergirl: A Mulher do Amanhã, na qual a heroína embarca em uma aventura repleta de ação e vingança. Mesmo com várias audições, nas quais disputou com outras atrizes, ela conquistou definitivamente o papel e Gunn afirmou ter sido "a melhor escalação de sua carreira". A primeira aparição dela no novo UDC idealizado por Gunn foi em Superman (2025), que mostrou que a escolha foi  mais do que acertada, mesmo em uma participação tão curta. Resta esperar pelo aguardado Supergirl (2026), que promete fazer barulho!







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