Supergirl: A Mulher do Amanhã — Parte I
O futuro filme da Supergirl (2026) contará mais um capítulo do DCU de James Gunn, iniciado com Superman (2025), no qual a atriz australiana Milly Alcock fez uma divertida participação especial como a prima do herói. O filme solo de Kara Zol-El terá forte inspiração na aclamada minissérie Supergil: Mulher do Amanhã (Supergirl: Woman of Tomorrow), com roteiro de Tom King e arte da paulistana Bilquis Evely. Diferente do Homem de Aço, a personagem é mais impulsiva, o que trará uma mudança de tom óbvia em seu filme solo. Nos quadrinhos, ela já causou comoção ao morrer na saga Crise nas Infinitas Terras, em uma das cenas mais chocantes da saga. Mesmo bastante querida pelos fãs, a personagem demorou muitos anos para retornar à vida, mas tem recebido bastante destaque em anos mais recentes, sobretudo após a referida minissérie citada. Muito mais do que uma mera contraparte feminina de um grande herói, a postagem a seguir (dividida em três partes) é totalmente dedicada a ela. Para o alto e avante!
Origem
Criada por Otto Binder e Curt Swan, a Supergirl estreou em Action Comics Vol.1 #252 (maio de 1959), na história intitulada "The Supergirl from Krypton" ("A Supergirl de Krypton"). Na trama, Clark Kent trabalhava em seu escritório quando captou, com sua visão de raio-X, a queda de uma nave espacial. Ao investigar como Super-Homem, ele se deparou com uma mulher loira chamada Kara. Ela revelou que sua cidade natal, Argo, tinha sido libertada da destruição de Krypton por uma bolha de ar comprimido. A ilha voou pelo espaço tal qual um planetoide à deriva. Seu pai era o cientista Zor-El, o qual havia criado uma bolha de campo de força ao redor da cidade, a fim de conter a atmosfera e também revestir o solo com camadas de chumbo, para impedir que traços de kryptonita no solo envenenassem a população. Anos depois, quando Kara era adolescente, uma chuva de meteoros no espaço penetrou a bolha de ar e rompeu a blindagem de chumbo. Para salvar sua filha do envenenamento por kryptonita, Zor-El projetou uma nave para levá-la para longe da cidade e sua esposa descobriu a existência da Terra e de seu maior herói, o Super-Homem. Eles então decidiram enviar Kara para a Terra, para que ela pudesse ficar com um dos seus. O Super-Homem percebeu que Kara era sua prima, mas mesmo feliz por ter encontrado alguém da família, ele não podia se responsabilizar por ela (que belo herói, afinal! Bem, era a Era de Prata, onde o bizarro e o absurdo andavam de mãos dadas!). Assim, ele a levou a cidade vizinha, Midvale, onde a registrou no orfanato local. Para disfarçá-la, o Homem de Aço deu a ela uma peruca castanha e Kara adotou o nome terrestre de Linda Lee. Secretamente, ele se comprometeu a treiná-la no uso de seus poderes.
Muito embora esta tenha sido a estreia oficial da personagem, curiosamente, uma Supergirl já tinha aparecido em Superman Vol.1 #123 (agosto de 1958), na história intitulada "The Three Magic Wishes" ("Os Três Desejos Mágicos"), escrita por Otto Binder e desenhada por Dick Sprang, na qual Jimmy Olsen visitou um velho arqueólogo que descobriu um totem místico em uma caverna indígena. Ele presenteou Jimmy com o artefato e explicou a ele como fazê-lo funcionar. Em casa, Jimmy esfregou uma joia no cabo do totem à meia-noite e, como esperava, o espírito que residia dentro dele concedeu a Jimmy três desejos. O primeiro deles, Jimmy usou para dar ao seu amigo Super-Homem uma companheira kryptoniana, uma Supergirl. Assim, uma Supergirl loira se materializou diante dele e partiu em busca do Super-Homem. Ela tentou ajudar o herói em suas patrulhas diárias, mas, em vez de auxiliar, atrapalhava cada um de seus esforços. Toda vez que o Homem de Aço tentava evitar algum desastre, a Supergirl entrava em ação e piorava tudo. Certo dia, quando um grupo de bandidos viu o Super-Homem tentar consertar uma ponte suspensa quebrada, armados com um estoque de kryptonita, jogaram o mineral em cima dele. Ao vê-lo ferido, a Supergirl correu para ajudá-lo e, corajosamente, afastou a kryptonita, mesmo ciente de que a radiação também seria letal para ela. Jimmy Olsen usou o totem mágico uma vez mais, em um ato de misericórdia, para fazê-la desaparecer antes que sucumbisse ao envenenamento por radiação.
Outra Supergirl
Em Superboy Vol.1 #5 (novembro de 1949), na aventura "Superboy Meets Supergirl" ("Superboy Encontra Supergirl"), com roteiro de William Woolfolk e arte de John Sikela, foi apresentada uma Supergirl completamente diferente do que depois seria a "Supergil oficial". Ela era a rainha Lucy, da nação latino-americana de Borgonia, a qual foi levada para os EUA por sua guardiã Elena devido às investidas do maligno Duque Norvello, que desejava mantê-la sob sua influência. Ela chegou a Smallville (ou "Pequenópolis", como foi conhecida a cidade no Brasil por muito tempo), onde suas habilidades atléticas excepcionais e sua sagacidade a tornaram uma espécie de pária. Porém, tanto Clark Kent quanto seu alter ego fizeram amizade com ela. No festival esportivo, ela realizou acrobacias ao lado do Superboy, como Supergirl. O Garoto de Aço logo se apaixonou por ela, mas, quando foi raptada pelo Duque Norvello, levada de volta a Borgonia e aprisionada em uma máscara de ferro, ele a resgatou e expôs o Conde à população borgoniana. Ela quis voltar aos EUA com o Superboy, mas foi convencida a permanecer em Borgonia, para governar seu povo com sabedoria. Muito embora não tenha nada a ver com Kara Zor-El, e só tenha usado a alcunha de "Supergil", sem ter os poderes relacionados à personagem, vale a curiosidade.
Após passar a viver no Orfanato de Midvalle sob o nome de Linda Lee, disfarçada com uma peruca de cabelos castanhos, foi posteriormente adotada pelo casal Danvers e passou a se chamar Linda Lee Danvers. Mesmo com sua presença ainda oculta da humanidade, ela continuava a ajudar seu primo e, em uma de suas aventuras, conheceu Atlantis (lar do Aquaman) e chegou a namorar Jerro, um tritão adolescente. Posteriormente, o Super-Homem a apresentou publicamente e ela entrou para a Legião dos Super-Heróis, equipe do futuro na qual conheceu outro de seus namorados, Brainiac-5. Após algumas mudanças de uniforme — como a vista em Adventure Comics Vol.1 #397 (setembro de 1970) — e relançamentos, a DC matou a personagem em Crisis on Infinite Earths #7 (outubro de 1985), saga gigantesca, na qual "mundos viveriam, mundos morreriam e o universo nunca mais seria o mesmo". De fato, a capa icônica na qual um Super-Homem aos prantos carrega o corpo de sua prima morta reverbera até hoje e, na época, funcionou como um lembrete de que nenhum personagem, herói ou vilão, estava a salvo.
Com roteiro de Marv Wolfman e arte inesquecível de George Pérez, Kara pereceu ao enfrentar o Anti-Monitor na aurora do Tempo, onde a própria saga eliminou quaisquer lembranças a respeito dela, porque a história tinha sido alterada e, para efeitos práticos, Kara Zor-El nunca havia existido, o que fez de seu primo o último kryptoniano vivo (a alcunha de "O Último Filho de Krypton" finalmente se tornava justificada). Vale lembrar que, na Terra-2, a contraparte de Kara Zor-El era Karen Starr, a Poderosa (Power Girl), prima do Super-Homem daquele universo, cuja origem foi totalmente alterada após a Crise nas Infinitas Terras. A Poderosa, cuja primeira aparição tinha ocorrido na All Star Comics Vol.1 #58 (janeiro de 1976), criada por Gerry Conway, foi membro da Sociedade da Justiça e, até a Crise Infinita (em 2005-2006), foi completamente desvinculada do universo do Super-Homem (ela passou a ter origens místicas, na antiga Atlântida, como neta do mago Arion). Quanto à Kara Zor-El, ela voltou aos Quadrinhos em uma nova — e estranha! — versão criada por John Byrne, mas levaria mais alguns anos para a clássica Supergirl, prima de Kal-El, retornar com toda pompa e circunstância.
Um novo rumo!
Com o fim da Crise, John Byrne assumiu os títulos do Super-Homem e recontou as origens do herói. Com o tempo, o autor criou uma nova versão da Supergirl, conhecida como Matriz, encontrada pelo Homem de Aço em uma dimensão chamada Mundo Compacto. Tratava-se de uma criatura artificial criada pelo Lex Luthor daquele mundo, que mesclou o DNA de sua esposa, Lana Lang, a uma substância chamada protomatéria. Lana tinha morrido devido a destruição provocada por três criminosos kryptonianos, ingenuamente libertados da Zona Fantasma por Luthor (o Luthor do Mundo Compacto era tão genial quanto ingênuo, bastante diferente do Luthor tradicional). Matriz tinha super-força e velocidade, mas, ao contrário da Supergirl original, tinha o poder de mudar de forma, podia lançar poderosas rajadas mentais, tinha poderes telecinéticos e de invisibilidade.
Posteriormente, ela veio do Mundo Compacto para o nosso mundo, onde se apaixonou por Lex Luthor (na época, em um corpo clonado, mais jovem, após ter simulado a própria morte e se apresentado como seu próprio filho), por pensar que este era tão bondoso quanto o Luthor de seu mundo. No entanto, passou a ser manipulada por ele em seus estratagemas para derrotar o Super-Homem. Após ela descobrir que Luthor havia tentado cloná-la diversas vezes, tentou matá-lo, mas foi impedida pelo Super-Homem. Posteriormente, passou a vagar sem rumo, sem lembranças de seu planeta natal, sem identidade e com raros laços afetivos. Para salvar a vida de uma jovem chamada Linda Lee Danvers, Matriz se fundiu a ela e, com isso, finalmente pode assumir uma identidade secreta real.
De volta às origens!
A personagem foi mais uma vez repaginada em Superman/Batman Vol.1 #9 (junho de 2004). Após quase duas décadas, finalmente Jeph Loeb (roteiro) e Michel Turner (arte) trouxeram Kara Zorr-El de volta! Em sua nova origem, foi revelado que seu pai, Zor-El, tinha ajustado a espaçonave da filha para seguir a de seu primo, Kal-El. Kara já era uma criança crescida, enquanto Kal-El era um bebê. No entanto, durante a jornada, Kara ficou em estado de animação suspensa no interior de um enorme pedaço do planeta e, ao chegar à Terra, o asteroide se quebrou e a nave caiu no porto de Gotham City, onde foi encontrada pelo Batman. Assustada, ela fugiu do Batman e posteriormente descobriu que seu primo era o herói conhecido como Super-Homem, adulto e mais velho que ela (porque sua nave havia chegado à Terra muito antes). Levada à Fortaleza da Solidão, onde aprendeu a falar inglês e começou a passar por um processo de adaptação, mas foi repentinamente levada à Temiscyra por Diana e as amazonas, a contragosto de seu primo, para ser treinada. Um clima tenso se instaurou entre Kal-El — o qual confiava incondicionalmente em Kara, por ser sua família —, Batman e Mulher-Maravilha, que pediram ao amigo para ir com mais calma. O Super-Homem argumentou que a conversa seria diferente se tivesse Jason Todd ou Donna Troy em questão, mas discussão precisou ser adiada quando as Fúrias Femininas de Darkseid invadiram a Ilha e raptaram Kara, o que causou a morte da Precursora no processo.
Os heróis buscaram a ajuda da Grande Barda e partiram para Apokolips. Lá encontraram Kara, completamente dominada pelo vilão. Uma luta se seguiu e o Super-Homem foi obrigado a usar o anel de Kryptonita na fivela do seu cinto para derrubá-la. Durante a luta, o Batman ameaçou explodir Apokolips e chantageou Darkseid para que pudessem partir em troca da não detonação. O Senhor de Apokolips aceitou. Kara estava livre para partir. Porém, pouco tempo depois, foi atrás de Kara e do Super-Homem em Smallville, com o objetivo de matar Kal-El. No entanto, em meio à batalha entre eles, Darkseid disparou um de seus raios ômega e atingiu a Supergirl, o que aparentemente causou a sua morte instantânea. Contudo, ela estava viva. Milésimos de segundos antes de ser atingida, ela tinha sido teletransportada pela Mulher-Maravilha, em um plano para enganar Darkseid. Ao final da edição, o Homem de Aço apresenta orgulhosamente sua prima aos maiores heróis da Terra, entre os Quais a Liga da Justiça, os Novos Titãs e a Sociedade da Justiça. Após sua reintrodução ao cânone, a Supergirl defendeu o mundo no espaço durante a saga Crise Infinita, viveu muitas aventuras, lutou ao lado da Legião dos Super-Heróis no século XXXI e marcou presença em sagas como 52 (a minissérie), Nova Krypton e Crise Final.
Os Novos 52!
Em 2011 a DC lançou a iniciativa denominada Os Novos 52! (The New 52!), na qual grande parte dos heróis e vilões da Editora passaram por um reboot. Kara Zor-El foi repaginada para uma personalidade bem mais rebelde que a tradicional, o que levou a conflitos com seu primo. Em sua nova origem, ela chegou à Terra em uma nave que estava em animação suspensa, sem falar o idioma terrestre e em busca de respostas sobre o destino final de Krypton. Nesta fase, foi abordado o sentimento de não pertencimento da personagem, de seu isolamento em um planeta totalmente diferente culturalmente do seu mundo de origem. Sua raiva foi explorada no arco dos Lanternas Vermelhos, quando integrou a Tropa por um período.
A fase também explorou a dinâmica do seu relacionamento com o Superboy e com a Poderosa. Os principais vilões que enfrentou foram: H´EL, um kryptoniano que chegou à Terra com o objetivo de voltar no tempo e salvar Krypton, mesmo que, para isso, precisasse sacrificar a Terra; Lobo, o Maioral, em sua repaginada para lá de duvidosa; Reactron, clássico vilão que usa uma armadura com kryptonita; Satan Girl, uma versão sombria da própria Supergirl; Super-Homem Ciborgue, nesta versão pai de Kara, reconstruído por Brainiac e um de seus antagonistas mais complexos; e Destruidores de Mundos (Worldkillers), modificados geneticamente em Krypton, como Reign, Perrilus, Deimax e Flower of Heaven. O uniforme da heroína também passou por um redesign, tão estranho quanto o promovido no Super-Homem, sem a saia e com um emblema diferente no peito (e, no caso do Homem de Aço, uma espécie de armadura....). Esta fase não deixou saudades!
Renascimento!
Após o fracasso dos Novos 52!, a DC investiu na fase Renascimento (Rebirth), que foi uma "volta ao básico", ao que sempre fez a Editora funcionar: o legado e o relacionamento dos heróis. Para Kara significou um tom mais ameno e divertido nos roteiros, sem a ambientação dark e o drama excessivo dos Novos 52! Em Renascimento, foi explorada sua vida como Kara Danvers estudante e funcionária de Cat Grant (semelhante à série de TV estrelada por Melissa Benoist), além de sua parceria com a Poderosa da Terra-2. A série da Supergirl aproveitou o gancho deixado pelos Novos 52 ao colocar o Super-Homem Cirborge - pai de Kara - como o primeiro grande vilão desta nova empreitada. O uniforme também voltou a ter uma saia, mas o emblema no peito infelizmente manteve o design estranho de antes.
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